Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

A chanceler colombiana chega ao Palácio das Convenções de Havana

(afp_tickers)

A guerrilha comunista das Farc deu as boas-vindas à chanceler colombiana, María Ángela Holguín, que se somou nesta sexta-feira aos diálogos de paz em Havana, enquanto os negociadores se preparavam para impulsionar novamente um plano de desminagem e diminuir as tensões no conflito armado.

Em um gesto incomum, a guerrilha também estendeu a mão ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que iniciou negociações com as Farc em 2012, afirmando que ele enfrenta uma "campanha de desprestígio (...) dirigida a enfraquecê-lo e obrigá-lo a romper o processo de paz", que tem por objetivo acabar com um conflito armado de meio século.

"Acreditamos que a experiência diplomática da chanceler Holguín pode incorporar a dose de tranquilidade necessária, bem-vinda", disse a guerrilha em uma mensagem de seu comandante supremo, Timoleón Jiménez ("Timochenko"), lida à imprensa por seu chefe negociador em Havana, Iván Márquez.

A ministra e o empresário Gonzalo Restreto se integraram à delegação oficial num momento crítico do processo de paz, após um aumento das hostilidades que deixou 45 guerrilheiros e 15 soldados mortos nos últimos dias, o que levou os países "fiadores" do processo, Noruega e Cuba, a pedir na quarta-feira novos esforços para reduzir as tensões.

Holguín entrou no Palácio de Convenções de Havana, sede das negociações de paz, sem fazer declarações à imprensa, seguindo o costume da delegação do governo, liderada pelo ex-vice-presidente colombiano Humberto de la Calle.

As duas delegações participarão de uma reunião pública nesta sexta-feira por volta das 13h00 locais (14h00 de Brasília) para anunciar medidas do plano de desminagem, que havia sido paralisado na semana passada, após a intensificação das hostilidades.

A guerrilha também saudou a designação do empresário Luis Carlos Villegas, um ex-delegado de paz do governo, como novo ministro da Defesa colombiano, afirmando que é "um fato de repercussões positivas para a mesa" de diálogo.

Villegas, que atuava como embaixador nos Estados Unidos, substitui Juan Carlos Pinzón, que se caracterizou por fazer um duro discurso contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior guerrilha do país.

Atualmente ocorre em Havana o trigésimo sétimo ciclo de negociações de paz, que deve terminar no domingo, dedicado ao sensível tema da reparação às vítimas.

O conflito colombiano já deixou 220.000 mortos e seis milhões de deslocados, e é o último conflito armado na América.

As negociações do governo e das Farc começaram em novembro de 2012 e até agora as partes acertaram três dos seis pontos da agenda: reforma agrária (maio de 2013), participação política (novembro de 2013) e drogas ilícitas (maio de 2014).

AFP