Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Eduardo Diaz, diretor da agência colombiana encarregada da substituição voluntária de cultivos de uso ilícito, em Havana, no dia 10 de junho de 2016

(afp_tickers)

Os rebeldes das Farc e o governo da Colômbia iniciarão em 10 de julho a substituição voluntária de narco-cultivos, combustível por décadas do conflito armado, segundo acordo anunciado nesta sexta-feira em Havana.

O compromisso foi relevado pelas partes no final do processo de paz que negociam para superar um enfrentamento de meio século, e que alimenta o narcotráfico desde os anos 1980.

Em um comunicado, a guerrilha e o governo anunciaram um plano piloto de "substituição voluntária de cultivos de uso ilícito" em Briceño, município do noroeste da Colômbia com cerca de 11.000 habitantes.

Os camponeses desta área, que por anos viveram da venda da folha de coca com a ajuda das Farc e sob o cerco das autoridades, mudaram voluntariamente as plantações ilegais por cultivos de café e maracujá, entre outros.

No entanto, em outras regiões da Colômbia onde há o narcotráfico não atuam apenas os rebeldes comunistas, como grupos armados do narcotráfico.

A ONU e sua agência para Alimentação e Agricultura (FAO) acompanharam a iniciativa, a primeira que envolve um grupo guerrilheiro na Colômbia na erradicação dos cultivos com os quais financiava sua luta contra o Estado.

"Acreditamos que isto seja o princípio do fim do tema dos cultivos ilícitos na Colômbia", disse Eduardo Diaz, diretor da agência colombiana encarregada do assunto, em coletiva de imprensa em Havana.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) também confiaram que a iniciativa em Briceño se amplie para todo o país e termine com a plantação da coca e da papoula, matéria-prima das drogas.

"Os camponeses cultivadores de solo necessitam - e têm pedido e lutado durante décadas - de planos alternativos de desenvolvimento econômico e social que lhes permita deixar para trás a ilegalidade que se viram colocados pela pobreza e pelo abandono", disse Iván Márquez, chefe negociador das Farc.

O plano experimental se realizará na mesma área onde o governo e as Farc cumprem tarefas conjuntas de desminagem.

A Colômbia é a principal produtora mundial de coca, segundo a ONU.

Até 2014 existiam cerca de 69.000 hectares de cultivos ilegais e, segundo o responsável colombiano da política de substituição desses cultivos, em torno de 60.000 famílias estão envolvidas diretamente nesta atividade.

Próximo a declarar um cessar-fogo permanente, o governo e as Farc arrumaram os últimos pontos para negociar um acordo de novembro de 2012 para desarmar os guerrilheiros e transformá-los em um partido político.

As partes concordaram em quatro dos seis pontos da agenda de paz: problema agrário, narcotráfico, reparação de vítimas e participação política.

Ainda há que definir o cessar-fogo definitivo e o mecanismo de referendamento dos convênios.

AFP