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(Junho) O comandante Carlos Antonio Lozada chega ao Palácio das Convenções de Havana

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A guerrilha comunista das Farc anunciou nesta quinta-feira que manterá o cessar-fogo unilateral decretado há um mês para favorecer um ambiente apropriado para as negociações de paz com o governo colombiano em Havana.

"Ratificamos nossa decisão de manter o cessar-fogo unilateral", disse à imprensa o comandante Carlos Antonio Lozada, um dos negociadores das Farc nos diálogos de paz, sem informar por quanto tempo esta medida será mantida, o que leva a pensar que será indefinidamente.

Lozada indicou que a guerrilha tomou esta decisão mesmo com o registro de incursões e provocações das forças militares contra seus acampamentos e unidades desde que sua trégua unilateral de um mês entrou em vigor, em 20 de julho.

"Não dá para entender estas agressões a uma guerrilha em trégua", indicou o chefe guerrilheiro.

"O mais sensato por parte do governo é não continuar tentando tirar vantagem militar deste gesto humanitário da insurgência", acrescentou.

É necessário um ambiente adequado

A guerrilha fez o anúncio na retomada nesta quinta-feira, após um recesso de duas semanas, das negociações de Havana, que buscam acabar com um conflito armado interno de meio século, o último na América.

A delegação de paz do governo, liderada pelo ex-vice-presidente colombiano Humberto de la Calle, não fez declarações à imprensa no início deste ciclo, o 40º desde 19 de novembro de 2012.

"São vários e complexos os temas que precisam ser abordados na Mesa, e para isso é necessário um ambiente político apropriado", disse Lozada, que pediu ao governo que evite ações contra insurgentes que possam ameaçar o cessar-fogo unilateral dos rebeldes.

"Exigimos uma atitude correspondente por parte do governo para que seja possível consolidar a desescalada do conflito, até chegar ao cessar-fogo e das hostilidades bilateral e definitivo que toda a Colômbia exige", disse.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior guerrilha deste país, estão negociando com o governo de Juan Manuel Santos para colocar fim a um conflito armado que já deixou 220.000 mortos e seis milhões de deslocados, segundo números oficiais.

No dia 12 de julho, as duas partes alcançaram um acordo sem precedentes para desescalar o conflito, que havia se intensificado desde abril, com dezenas de baixas nos dois lados.

Através deste acordo, o governo de Santos se comprometeu pela primeira vez a reduzir as operações contra este grupo insurgente.

Quatro dias antes deste compromisso, a guerrilha decretou uma trégua unilateral de um mês a partir de 20 de julho, que nesta quinta-feira decidiu manter.

AFP