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O comandante das Farc Ivan Marquez durante entrevista coletiva em Havana, no dia 30 de agosto de 2015

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A guerrilha comunista das Farc propôs neste domingo ao governo da Colômbia selar um pacto para a busca de desaparecidos no conflito armado interno, ao encerrar um ciclo de negociações de paz em Havana.

"Acreditamos que a Mesa de Conversações (de Havana) deve pactuar já compromissos de desescalada que incluam a busca das pessoas tidas como desaparecidas", disse à imprensa o chefe de negociações das Farc, Iván Márquez.

"Embora as cifras de casos de desaparecimentos forçados sejam díspares, todas falam de dezenas de milhares de vítimas e todas as fontes coincidem em que a Colômbia tem tido mais desaparecimentos forçados do que a soma dos desaparecidos nas ditaduras de Chile e Argentina", acrescentou.

Em meio século, o conflito armado colombiano deixou 50.000 desaparecidos, segundo a Procuradoria do país. A ditadura argentina (1976-1983) terminou com 30.000 mortos e desaparecidos, e a chilena (1973-1990) com 3.200.

Na Colômbia, as autoridades iniciaram há um mês a busca por restos mortais de desaparecidos em um lixão da cidade do norte de Medellín.

Márquez lançou esta proposta no encerramento de um ciclo de diálogos de paz, o 40º desde novembro de 2012, que esteve centrado em temas de justiça e violência de gênero e sexual como arma de guerra.

Segundo um comunicado conjunto, as duas partes retomarão as negociações em 11 de setembro.

O governo e as Farc alcançaram em 12 julho um histórico acordo para desescalar o conflito, dando um impulso renovado às negociações de paz, iniciadas em novembro de 2012, que estavam ameaçadas desde meados de abril pelo recrudescimento das hostilidades.

Desde 20 de julho vigora uma trégua unilateral da guerrilha e seis dias depois o governo de Juan Manuel Santos suspendeu os bombardeios contra redutos rebeldes.

Até agora, as partes concluíram três dos seis pontos da agenda. Além disso, acordaram criar uma Comissão da Verdade e iniciaram um programa piloto de retirada de minas.

Iván Márquez também pediu ao governo que detenha a "belicosidade" dos comandantes militares regionais que estão supostamente "hostilizando" à guerrilha.

"Insistimos com o governo na necessidade de agir em consequência com a trégua unilateral declarada pelas Farc (...), reivindicamos racionalidade e coerência", expressou.

A delegação do governo, encabeçada pelo ex-vice-presidente colombiano Humberto de la Calle, não formulou declarações à imprensa.

Márquez disse que houve "avanços" nesta rodada de diálogo.

"Concluímos um novo ciclo de conversações com intenso trabalho simultâneo nas subcomissões, jurídica, de esclarecimento e fim do paramilitarismo, de gênero, e na do Cessar-fogo e hostilidades bilateral e definitivo", explicou.

"Sem desconhecer a complexidade da temática em discussão, podemos entregar um aparte positivo ao país, registramos avanços, o processo se move em direção ao Acordo Final" de paz, acrescentou.

As equipes jurídicas do governo e da guerrilha celebraram sua segunda reunião entre a sexta-feira e o domingo.

O tema da justiça é um dos mais complexos da agenda, pois ambas as partes se acusam mutuamente de ser as principais responsáveis pela violência armada na Colômbia, que deixou 220.000 mortos e seis milhões de deslocados, segundo números oficiais.

Além disso, as Farc acusam o governo de tentar levar à prisão os guerrilheiros depois de assinado o acordo de paz, mas de fazer vista grossa para os crimes cometidos pelos militares.

Os assessores jurídicos do governo são os colombianos José Manuel Cepeda e Juan Carlos Henao (ambos ex-presidentes da Corte Constitucional) e o americano Doug Cassel, especialista em direitos humanos.

Enquanto isso, os assessores jurídicos das Forças Armadas da Colômbia (Farc) são os colombianos Álvaro Leyva e Diego Martínez, e o espanhol Enrique Santiago.

Márquez informou ainda que foi retomado o programa piloto de retirada de minas, a cargo de uma ONG especializada da Noruega, suspenso após a morte de um militar que retirava explosivos, em 15 de julho.

"O trabalho de limpeza e descontaminação de artefatos explosivos foi reiniciado na Vereda El Orejón", informou Márquez.

Desde 1990, as minas deixaram mais de 11.000 vítimas, entre mortos e feridos. A Colômbia é o segundo país com maior número de vítimas provocados por minas, depois do Afeganistão.

AFP