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A fonte de Cibeles, iluminada com as cores da bandeira arco-íris pelo WorldPride, em 28 de junho em Madri

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Entre carros alegóricos, bandeiras arco-íris e um forte dispositivo de segurança, milhares de pessoas participaram neste sábado (1º) em Madri da principal marcha mundial de reivindicação dos direitos da comunidade LGTB.

A quinta edição da "WorldPride Parade" começou com um cortejo por volta das 17h30 (12h30, horário de Brasília), partindo do Paseo del Prado, sob o lema "Pelos direitos LGTBI em todo mundo", em referência à comunidade de lésbicas, gays, transexuais, bissexuais e intersexuais.

"Todo este enorme movimento, há 40 anos, conseguiu mudar o direito" na Espanha, onde os homossexuais podem se casar desde 2005, disse a prefeita de Madri, Manuela Carmena, em um palco se dirigindo a milhares de participantes.

"Agora nos resta olhar para todos aqueles que precisam de nós", nos lugares onde a diversidade sexual é perseguida, acrescentou.

Após a marcha, na qual estiveram representados os quatro principais partidos espanhóis, incluindo o da situação (o conservador Partido Popular), 52 carros começaram a desfilar.

Os veículos avançavam aclamados pelos manifestantes. Estre eles, havia grupos de amigos vindos do exterior, curiosos que tiravam fotos com 'drag queens' e também casais heterossexuais e famílias.

O clima era de festa, com as cores do arco-íris se espalhando na forma de bandeiras, guarda-sóis e gravatas, além de muito pop e até um bloco de carnaval com músicas brasileiras.

Os manifestantes chegaram de países como Alemanha, Suécia, França, Dinamarca, Estados Unidos e Itália, carregando cartazes com frases como "Meus direitos protegem os seus", ou "A repressão sim é perversão".

"Reivindicamos nossos direitos como pessoas. Tem gente que não nos respeita e, em Madri, ainda há agressões. A mais recente delas por parte de neonazistas", desabafou Ricardo Méndez, de 23 anos, referindo-se a um casal gay atacado no fim de semana passada no centro da capital.

Alguns dos carros alegóricos foram fretados por partidos políticos espanhóis (Ciudadanos, PSOE, Podemos), e outros foram patrocinados por multinacionais como Spotify e PayPal. A comunidade LGTB reclamou, vendo nisso o símbolo de uma mercantilização excessiva de sua causa.

Na concentração era visível a reivindicação da comunidade transexual, que na Espanha carece de uma reforma legal que permita mudar o estado civil sem passar por um tratamento hormonal.

E também a dos bissexuais.

"A bissexualidade é historicamente excluída do coletivo LGTB. Ou você é homo ou hetero. Por isso sair hoje com um cartaz pode parecer uma bobagem, mas serve para dizer que existimos", comentou Carlos Castaño, militante bissexual na federação espanhola LGTB (FELGTB).

- Uma mensagem mundial -

No ano passado, a Gay Pride de Madri reuniu entre 800 mil e 1,2 milhão de pessoas, em uma cidade que conta com cerca de três milhões de habitantes.

Para esta festa, eram esperadas entre um e dois milhões de pessoas, mas até o momento a prefeitura não dispõe de estimativas exatas de participação.

O encontro mundial deste ano se volta para os países onde a homossexualidade ainda sofre perseguições. De acordo com a Associação Internacional LGTBI (ILGA), as relações sexuais consensuais entre homens adultos continuam sendo ilegais em 72 países, e entre mulheres, em 45.

Em seis países se prevê inclusive a pena de morte, apontou a ILGA, que cita Irã, Arábia Saudita, Iêmen, Sudão, Somália, Nigéria e os territórios controlados pelo grupo Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque e na Síria.

Para evitar atentados, Madri mobilizou especificamente para esse encontro cerca de 3.500 agentes, entre policiais, bombeiros e membros de outras corporações. Ao longo da marcha, sua presença era muito visível, com várias viaturas estacionadas e um helicóptero sobrevoando a zona.

Os carros alegóricos circularam dentro de um perímetro protegido, e mesmo seus ocupantes tiveram de se identificar.

AFP