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(Arquivo) O premier da Finlândia, Juha Sipila

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Um século depois de sua declaração de independência da Rússia, a Finlândia reivindica, mais do que nunca, seus laços com o Ocidente, frente a seu poderoso vizinho, em um contexto de crescente tensão entre Moscou e os países ocidentais.

A anexação à Rússia da Crimeia em 2014 e o aumento de atividades militares no Báltico colocaram à prova as relações entre Helsinki e Moscou, que sempre dependem de um esforço diplomático.

Assim como outros países de seu entorno, como Suécia e Dinamarca, os países Bálticos e a Polônia, a Finlândia lançou nos últimos anos uma modernização de seu exército e multiplicou as iniciativas para se aproximar da OTAN, sem selar a entrada no pacto.

Contudo, a retórica continua sendo muito cautelosa para referir-se à Rússia, seu quinto parceiro comercial.

"Estamos prontos para nos defender, mas não especulamos nem sobre a natureza de um conflito nem sobre os países", de onde poderiam vir as ameaças, disse em uma entrevista à AFP o ministro de Relações Exteriores, Timo Soini.

"Somos duas nações independentes e não pedimos permissão uma à outra", antes de tomar essa ou aquela orientação estratégica, assegurou.

- Receio em relação a vizinho -

Depois de ter sido um território sueco durante seis séculos, até 1809, passou a ser um ducado russo até 1917, quando conquistou sua independência no final da Primeira Guerra Mundial, após a queda do império czarista.

Reconhecido como independente da URSS em 1918, o país nórdico teve que combater seu "grande vizinho do leste" durante o inverno de 1939 a 1940 e depois entre junho de 1941 e setembro de 1944, para evitar ser invadido pelos comunistas.

No tratado de Paris de 1947, se reconhece a derrota da Finlândia e a obrigação de pagar importantes reparações de guerra à URSS e a entregar-lhe de forma definitiva 10% de seu território, a região de Carélia Oriental.

O custo humano e a perda de territórios continuam muito presentes na memória coletiva dos 5,5 milhões de finlandeses. Segundo um velho ditado "não há nada bom que venha do leste, salvo o sol".

"Do ponto de vista finlandês, (a Rússia) não é uma verdadeira ameaça, e sim um grande vizinho que sempre gera receios e com quem a história comum nem sempre tem sido fácil", resumiu Barbara Knuz, especialista e, países nórdicos no Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI).

O fim da URSS em 1991 mudou tudo. Embora a Finlândia tenha permanecido como um país não alinhado do ponto de vista militar, rapidamente Helsinki entrou na órbita europeia em 1995 e deixou sua moeda, o markka, para adotar o euro em 2002.

Desde então, a fronteira entre ambos os países é a mais extensa entre União Europeia e Rússia (1.340 km). Graças a sua orientação para o Ocidente, a Finlândia tem buscado sempre assegurar-se que conta com um "escudo" diplomático e de segurança.

"Nós fazemos parte do Ocidente e precisamos das potências ocidentais para estabilizar a situação com a Rússia", explicou Markku Kivinen, diretor do Instituto Aleksanteri de Helsinki.

- Neutralidade pragmática -

Entretanto, contrariamente aos países Bálticos, que ganharam sua independência no começo da década de 1990, a Finlândia não pretende dar um passo definitivo e somar-se à Aliança Atlântica, por medo da reação de Moscou.

Segundo uma pesquisa publicada no final de novembro pela televisão pública Yle, somente 22% dos finlandeses acreditam que a entrada na OTAN é uma boa opção, opinião que baixou três pontos em um ano.

Neste país, a doutrina da não alineação é um consenso.

"Temos que continuar sendo independentes. Ninguém sabe o que pode acontecer com a Rússia", contou Heini Vahtera, moradora de Helsinki.

"Uma adesão geraria uma reação muito dura por parte dos russos", advertiu Jean de Gliniasty, especialista em Rússia do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS) e antigo embaixador da França em Moscou.

Uma fonte diplomática da OTAN explicou que a adesão seria puramente simbólica já que o país se somou a seu pacto para a paz em 1994 e é parte de suas operações conjuntas nos Bálcãs e no Afeganistão.

Por sua vez, Moscou destacou sua participação nas celebrações do centenário, o próximo 6 de dezembro.

O presidente russo, Vladimir Putin, aproveitou uma visita em julho para ressaltar o "diálogo político" entre ambos os países durante um encontro com seu colega finlandês, Sauli Niinistö.

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AFP