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Imagem aérea de área desflorestada no Pará, em 9 de outubro de 2013

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A Floresta Amazônica corre o risco de perder o seu protetor internacional mais generoso, a Noruega, que se mostra inquieta com o seu desmatamento.

O país advertiu que se continuar assim, futuramente a ajuda pode ser reduzida a zero.

"Expressei minha inquietação com relação ao fato de que o desmatamento no Brasil aumentou consideravelmente", declarou nesta sexta-feira a primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, durante a visita do presidente Michel Temer.

"Uma aceleração registrada do desmatamento provocará uma redução dos aportes da Noruega", completou durante uma coletiva conjunta.

A Noruega, que deve a sua prosperidade à produção de hidrocarburetos, contribuiu até o momento com 1,1 bilhão de dólares ao Fundo de Proteção da Floresta Amazônica, criado pelo Brasil em 2008 para lutar contra o desmatamento, um dos fatores que influencia no aquecimento global.

A colaboração anual da Noruega flutua em função do ritmo de desmatamento comparado à média observada na década anterior, segundo um método de cálculo estabelecido pelas próprias autoridades brasileiras.

"Em 2017, o aporte vai ser dividido por dois, inclusive um pouco mais", explicou à imprensa a ministra norueguesa do Clima e Meio Ambiente, Vidar Helgesen.

"De meados de 2015 a meados de 2016 foi constatada uma aceleração do desmatamento. Isto se traduz em menos repasses em 2017", afirmou.

Após progressos claros, o desmatamento aumentou fortemente nos últimos dois anos, em 29% em 2016 e 24% em 2015, de acordo com dados oficiais de observação por satélite.

Em 2016, cerca de 8.000 km2 de florestas - equivalente à superfície da Cidade do México - foram perdidos sob pressão da pecuária e agricultura.

Durante vários anos, a contribuição norueguesa foi de um bilhão de coroas (118 milhões de dólares) anuais.

Mas em 2016 isto foi reduzido para 850 milhões de coroas e neste ano o corte será ainda maior, avisou Helgesen.

Em uma carta enviada este mês ao seu colega brasileiro José Sarney Filho, Helgesen alertou que no caso de uma nova aceleração do desmatamento, "mesmo que modesta", o montante norueguês pode cair para zero.

"Se não atingirem os objetivos (...), haverá menos pagamentos, se houver algum", confirmou a primeira-ministra Solberg, excluindo qualquer renegociação do acordo com o Brasil que vai até 2020.

A primeira-ministra assinalou que "existem forças no Brasil que desejam enfraquecer a legislação ambiental e reduzir as áreas protegidas".

Os responsáveis brasileiros afirmam que se mobilizam para frear esta tendência negativa.

Temer, que foi recebido com pequenas manifestações, alegou que vetou em duas ocasiões medidas provisórias que teriam reduzido em 600.000 hectares as zonas de proteção da Floresta Amazônica.

Para o Greenpeace, trata-se de manobras destinadas a salvar sua aparência. A organização de defesa do meio ambiente teme que o conteúdo destas medidas seja retomado em um próximo projeto de lei.

AFP