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O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou em alta pela primeira vez em dois anos sua previsão de crescimento mundial

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O FMI está mais otimista quanto ao crescimento mundial pela primeira vez em dois anos, apesar de expressar preocupação com uma possível "guerra comercial" alimentada por surtos protecionistas na Europa ou nos Estados Unidos.

Depois de crescer 3,1% em 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) global deverá acelerar para 3,5% este ano, o que representa uma leve melhora de 0,1 ponto em relação à previsão anterior de janeiro, indica o Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu novo relatório semestral sobre a economia, publicado nesta terça-feira em Washington.

Esta é a primeira vez desde abril de 2014 que a instituição eleva suas previsões globais, mesmo considerando esta melhora "modesta".

"A atividade econômica mundial está se acelerando graças a uma recuperação, esperada há tempos, do investimento, da produção industrial e do comércio", aponta a instituição.

Para 2017, as previsões aumentaram para a zona do euro (1,7%) - principalmente França e Alemanha - mas também para o Japão (1,2%) e China (6,6%), e se mantiveram em um ritmo elevado para os Estados Unidos (2,3%).

Apesar das previsões catastróficas, incluindo do FMI, a vitória do Brexit em junho de 2016 ainda não teve o impacto temido. Este ano, a economia britânica deve crescer 2%, 0,5 ponto percentual a mais do que o esperado em janeiro.

A este respeito, o FMI sugere uma "materialização mais gradual do que o esperado" dos efeitos negativos da saída programada do Reino Unido da União Europeia.

Mais uma boa notícia, a Rússia e o Brasil devem retomar o crescimento este ano depois de experimentar recessões severas, dando um impulso aos países emergentes que muitas vezes carregaram a atividade mundial desde a crise de 2008-2009.

Apesar destes sinais encorajadores, o FMI, no entanto, evita o excesso de entusiasmo.

Ecoando uma mensagem martelada há vários meses, o Fundo garante que o crescimento é ameaçado pela tentação crescente do protecionismo econômico, que se manifesta com a vitória do Brexit e de Donald Trump nos Estados Unidos.

Embora tenha recentemente atenuado seus ataques, o presidente americano ameaçou diversas vezes seus parceiros comerciais, incluindo a China, o México, mas também a Alemanha, com represálias.

Londres, por sua vez, iniciou seu processo de separação da União Europeia e não descarta adotar uma linha dura vis-à-vis seus ex-parceiros.

Novo sopro

"Uma grande ameaça é o retorno ao protecionismo, que pode conduzir a uma guerra comercial", adverte no relatório o economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld.

Segundo o Fundo, esta corrente anti-globalização surfou no agravamento das desigualdades desde a crise financeira de 2008 e agora ameaça "minar as relações comerciais internacionais e, de forma mais geral, a cooperação multilateral" nos países ricos.

Este movimento poderia ainda ganhar novo sopro de vida na Europa em favor das eleições na Alemanha e especialmente na França, onde vários candidatos à presidência defendem uma saída do euro e uma dose de protecionismo econômico.

"Na Europa, as próximas eleições oferecem um palanque que permitirá às medidas protecionistas se tornarem aceitáveis", assegura o FMI.

Segundo a instituição, esta incerteza mancha o quadro atual.

"A economia mundial parece ganhar força, e poderíamos estar em um ponto de virada. Mas, mesmo se as coisas pareçam se mover para a frente, o sistema de relações econômicas internacionais do pós-Segunda Guerra Mundial está sob intensa pressão", escreve Obstfeld.

Um outro risco está à espreita, e vem dos Estados Unidos: o estímulo fiscal prometido por Donald Trump poderia impulsionar a inflação e forçar o Fed a elevar as taxas de juros mais rápido do que o esperado, correndo o risco de causar uma forte valorização do dólar e turbulências financeiras em outras partes do globo.

Para a América Latina e Caribe, o FMI revisou levemente em baixa sua previsão de crescimento em 0,1% em relação à previsão de janeiro deste ano. Para 2018, o FMI prevê um crescimento de 2%, também com redução de 01% em relação a janeiro.

Para o FMI, a maior economia da América Latina, o Brasil, deve fechar este ano com um crescimento tímido de 0,2%, uma previsão inalterada em relação ao que expressou em janeiro.

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