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Membro das forças iraquianas atira em Mossul, em 9 de maio de 2017

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As forças iraquianas anunciaram nesta terça-feira (9) que recuperaram mais um bairro da parte ocidental de Mossul em poder dos extremistas, apertando ainda mais o cerco ao grupo Estado Islâmico (EI), entrincheirado na Cidade Velha.

As tropas de elite antiterroristas (CTS) "libertaram a zona industrial norte [situada] na parte oeste" de Mossul, declarou em um comunicado o Estado-Maior de operações, que coordena a luta contra o EI no Iraque.

Segundo a nota, as tropas do governo "içaram a bandeira iraquiana depois de terem infligido perdas ao inimigo".

Outro pequeno bairro, o "30 Tamuz", também foi reconquistado.

Essas retomadas acontecem após o lançamento de uma nova ofensiva no noroeste de Mossul na semana passada, na tentativa de expulsar os extremistas dos bairros de Musharifa, Kanisa e Al-Haramat, no centro histórico. Ontem, segunda-feira (8), as forças iraquianas já haviam recuperado o controle total de Al-Haramat.

Lançada em 17 de outubro passado, essa operação de ampla envergadura para reconquistar a segunda mais importante cidade do país entrará em seu oitavo mês na próxima semana. O EI tem o domínio desse território desde junho de 2014.

Contando com o apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, as forças do Exército, do Ministério do Interior e da Polícia conseguiram controlar a parte leste de Mossul no final de janeiro. Em 19 de fevereiro deflagraram uma operação para reconquistar a zona oeste, do outro lado do rio Tigre.

Os membros do EI, que seriam algumas centenas, parecem opor resistência limitada nesses últimos dias. Fontes locais especulam que estariam reagrupando suas forças na Cidade Velha, onde será a tomada final.

- Novo acampamento para civis

Ao menos 250 mil civis permanecem sitiados no centro histórico da cidade, em condições de vida muito difíceis, conforme relatos de responsáveis humanitários e de organizações de defesa dos direitos humanos. Nessa área, fica a mesquita Al-Nuri, onde Abu Bakr Al-Baghdadi proclamou, em 2014, um "califado" nos territórios conquistados pelo EI entre Iraque e Síria.

Al-Baghdadi pediu a seus homens que defendem até a morte a capital "de facto" da parte iraquiana do "califado".

Segundo números das autoridades iraquianas citados pela ONU, 434.775 pessoas fugiram da parte oeste da cidade desde o início da ofensiva em fevereiro.

Cerca de 30 mil pessoas voltaram para suas casas, mas 400 mil continuam instaladas em acampamentos.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) anunciou, nesta terça, mas um novo acampamento na região, o 12º, com capacidade para nove mil pessoas.

O último havia sido aberto há menos de um mês, com capacidade para 30 mil pessoas. "Está quase cheio", disse a agência em um comunicado.

"Apesar dos grandes riscos, o número de pessoas que fogem de Mossul ocidental não parece diminuir", declarou o representante do Acnur no Iraque, Bruno Geddo.

E uma outra área para acolher os deslocados está sendo construção, desta vez com capacidade para 60 mil pessoas.

Conseguir o controle total de Mossul seria um golpe duro contra o EI. Segundo as autoridades iraquianas, o grupo ostenta menos de 7% do território nacional, contra quase de um terço em 2014. Domina ainda as cidades de Tal Afar, ao oeste de Mossul, e Hawija, ao sul, além de manter vários focos nas zonas desérticas do oeste do país, perto das fronteiras com Jordânia e Síria.

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