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A queda de Ramadi seria uma vitória importante para os insurgentes, que já controlam amplas áreas de território em cinco províncias afegãs, principalmente Al-Anbar.

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Intensos combates foram registrados nesta sexta-feira entre as forças iraquianas e insurgentes islamitas em Ramadi, enquanto o governo acusa os curdos de controlar campos de petróleo, afastando ainda mais a perspectiva de um governo de união.

Pelo menos 11 policiais morreram e 24 ficaram feridos nos confrontos com os insurgentes sunitas em Ramadi, cidade a 100 km de Bagdá.

Os combates a oeste da capital da província de Al-Anbar, onde os rebeldes controlam alguns setores desde janeiro, começaram na quinta-feira à tarde e prosseguiam nesta sexta.

Os insurgentes assumiram o controle de várias áreas a oeste da cidade desde o início dos combates. Também tomaram uma delegacia e provocaram uma explosão em outra.

A queda de Ramadi seria uma vitória importante para os insurgentes, que já controlam amplas áreas de território em cinco províncias afegãs, principalmente Al-Anbar.

A dois dias de uma reunião crucial do Parlamento, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki, que aposta em sua vitória nas eleições legislativas de abril para tentar um terceiro mandato, enfrenta a ofensiva insurgente sunita e tensões crescentes com o Curdistão iraquiano.

Tensão com Erbil

Enquanto o Exército combate em Ramadi, o Ministério iraquiano do Petróleo acusou nesta sexta-feira as forças curdas, os Peshmergas, de tomarem o controle de dois campos petrlíferos perto da cidade de Kirkuk (norte), sob controle curdo desde junho.

"O Ministério do Petróleo condena firmemente a tomada de poços petrolíferos nos campos de Kirkuk e Bey Hassan nesta manhã por parte de grupos de combatentes curdos", afirmou em um comunicado.

Esses campos produzem juntos cerca de 400.000 barris diários, de acordo com um porta-voz do ministério.

Essas acusações marcam uma nova escalada nas tensões entre Erbil e Bagdá, que contribuíram recentemente para o fracasso na formação de um governo de unidade nacional.

Aproveitando a retirada do Exército iraquiano diante da ofensiva lançada em junho pelos insurgentes sunitas, as forças curdas tomaram o controle de territórios disputados com Bagdá.

Erbil afirmou que não os devolverá e anunciou a realização de um referendo sobre a independência da região.

As autoridades curdas pediram na quinta-feira a renúncia do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, classificando-o de histérico depois de o líder ter acusado a província autônoma de ser o quartel-general dos insurgentes.

As tensões comprometem as tentativas de formação de um governo de unidade nacional que permitiria à classe política apresentar uma frente unida contra a os insurgentes sunitas que, liderados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), iniciaram em 9 de junho uma ofensiva que permitiu controlar Mossul, segunda maior cidade do Iraque, grande parte de sua província, Nínive, e alguns setores das províncias de Diyala, Saladino, Kirkuk e Al-Anbar.

Unidade comprometida

O Parlamento deve se reunir no domingo para tentar iniciar o processo de formação de um governo após as eleições legislativas de 30 de abril. Uma primeira sessão realizada em 1º de julho terminou em confusão e causou o adiamento de uma nova sessão prevista para terça-feira.

O aiatolá Ali al-Sistani, maior autoridade religiosa xiita do país, lançou um novo apelo nesta sexta-feira aos líderes políticos iraquianos para que parem as disputas e escolham um governo.

Apesar das críticas sobre seu autoritarismo e sua escolha de marginalizar a minoria sunita, Maliki rejeita a possibilidade de deixar o poder.

E, para alguns, ele pode deliberadamente sabotar a sessão parlamentar de domingo para ganhar tempo.

As críticas a Maliki também são relacionadas à incapacidade das Forças Armadas de impedir o avanço dos jihadistas e recuperar o controle das áreas perdidas.

Apesar da ajuda fornecida pelos Estados Unidos, pela Rússia e pelas milícias xiitas, o Exército iraquiano não consegue se recuperar de uma debandada em massa ocorrida nos primeiros dias da ofensiva jihadista.

AFP