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O presidente Barack Obama prometeu neste sábado prosseguir com os bombardeios aéreos contra os jihadistas no Iraque se for necessário para proteger diplomatas e assessores militares americanos.

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As forças iraquianas e curdas se preparavam neste sábado para recuperar o terreno perdido no norte do Iraque, depois dos bombardeios americanos contra posições jihadistas, que Washington diz estar disposta a continuar se for necessário.

Em um pronunciamento na Casa Branca este sábado, o presidente Barack Obama afirmou que não há data estabelecida para o fim dos ataques aéreos no Iraque e que França e Grã-Bretanha concordaram em participar dos esforços humanitários para ajudar os civis deslocados pela ofensiva jihadista do Estado Islâmico (EI).

"O presidente François Hollande e o premiê David Cameron expressaram um forte apoio às nossas ações e estão de acordo em nos ajudar na assistência humanitária que oferecemos aos iraquianos que mais sofrem", afirmou Obama.

"Não creio que vamos resolver este problema em algumas semanas", completou, ressaltando que "isso levará tempo".

Ele disse ainda que os Estados Unidos decidiram intervir porque o avanço dos jihadistas do EI foi mais rápido do que era esperado pelos serviços de Inteligência.

Obama prometeu prosseguir com os bombardeios aéreos contra os jihadistas no Iraque, se for preciso, para proteger diplomatas e assessores militares americanos e ajudar os civis deslocados no Monte Sinjar, no norte do Iraque, ante a ofensiva jihadista.

"Não vou dar um calendário preciso", disse Obama na entrevista coletiva, insistindo em que é preciso estabelecer um governo confiável em Bagdá.

O presidente acredita em que os Estados Unidos conseguirão impedir que os militantes do EI cheguem às montanhas e "massacrem as pessoas que se refugiaram lá".

Obama insistiu em que o mais importante nesse momento é a formação de um governo de unidade no Iraque, porque "na ausência de um governo iraquiano, é muito difícil conseguir um esforço unificado" contra os jihadistas.

Ao destacar que as profundas divisões étnicas e religiosas no Iraque afetam os esforços para combater o EI, Obama comentou que será mais fácil mobilizar os iraquianos e obter apoio internacional, se for implantado um governo inclusivo.

"Em última instância, apenas os iraquianos podem garantir a segurança e a estabilidade do Iraque. Os Estados Unidos não podem fazer isso por eles, mas podemos e seremos sócios nesse esforço", disse o presidente.

"Continuaremos dando assistência militar e assessoria ao governo iraquiano e às forças curdas, enquanto lutam contra esses terroristas", para que não possam estabelecer um refúgio permanente, acrescentou.

Milhares de yazidis fugiram de seus lares, quando o grupo EI tirou das forças curdas o controle da cidade iraquiana de Sinjar.

"Os milhares - talvez dezenas de milhares - de homens, mulheres e crianças iraquianos que fugiram para a montanha estão morrendo de fome e de sede. Os alimentos e a água jogados do ar vão ajudá-los a sobreviver", afirmou Obama.

Aviões militares americanos jogaram contêineres com água e alimentos para os civis que fogem da violência jihadista no Iraque.

É a primeira vez que os Estados Unidos se envolvem diretamente no Iraque desde a retirada de suas tropas em 2011, bombardeando na sexta-feira posições jihadistas que ameaçam o Curdistão iraquiano e milhares de cristãos e yazidis.

- Novo fôlego para forças iraquianas -

Depois de um dia de ataques aéreos americanos contra os jihadistas do grupo EI, um alto oficial no Curdistão iraquiano disse que havia chegado o momento de contra-atacar.

"Após os ataques dos Estados Unidos, os peshmerga vão primeiro se reagrupar e, depois, vão se mobilizar nas áreas de onde haviam se retirado. Por último, vão ajudar os deslocados a voltar para suas casas", disse Fuad Hussein aos jornalistas na sexta-feira em Erbil, a capital curda.

Os combatentes do EI estão a apenas 40 km de Erbil, mas ainda não cruzaram a fronteira da província autônoma.

Para o ministro iraquiano das Relações Exteriores, o curdo Hoshyar Zebari, não te ajuda militarmente os peshmerga foi um erro.

Ele considerou, porém, que os ataques aéreos americanos contiveram a deterioração da situação no terreno e permitiran às autoridades federais e curdas lutar "lado a lado nas mesmas trincheiras".

Na sexta-feira, um porta-voz da Casa Branca disse que os ataques teriam "um alcance muito limitado" e excluiu o envio de tropas ao terreno. Já o chefe de pessoal militar iraquiano, Babaker Zebari, considerou que a intervenção permitiria uma ação conjunta para retomar grandes zonas perdidas em favor dos extremistas sunitas.

Embora não se saiba quanto tempo e qual alcance da ofensiva americana no Iraque, os analistas consideram que os ataques podem inverter a tendência da expansão jihadista desde o lançamento dessa ofensiva no início de junho.

"Os ataques aéreos poderiam enfraquecer algumas posições do EI e facilitar a contraofensiva no terreno para os peshmerga curdos", considerou John Dreake, da empresa de Segurança AKE Group.

Dreake disse ainda que os ataques podem ajudar a eliminar alguns centros de operações e interromper a cadeia de comando do EI.

- Riesgo de que mueran en masa -

Em paralelo aos ataques militares - que Obama garante que continuarão "se for necessário" -, o Pentágono anunciou na sexta-feira que foi feita uma segunda entrega aérea de suprimentos a "milhares de cidadãos iraquianos" ameaçados pelos jihadistas no monte Sinjar.

A conquista de Sinjar, um reduto da minoria de idioma curdo yazidi, adepta de uma religião pré-islâmica em parte saída do zoroastrismo, provocou no domingo passado a fuga de 200 mil civis, segundo a ONU.

Desde então muitos deles estão encurralados em uma zona montanhosa de altas temperaturas, onde enfrentam a dupla ameaça de fome e sede e dos jihadistas.

"Estados Unidos não pode simplesmente olhar para outro lado. Isso não é o que somos. Somos americanos. Agimos. Lideramos. E isso é o que vamos fazer nessa montanha", garantiu Obama neste sábado.

A deputada yazidi, Vian Dakhil, que se tornou símbolo de sua comunidade depois de cair aos prantos na terça durante uma sessão parlamentar, alertou neste sábado que "restam um, ou dois dias para ajudar essa gente". Ela completou: "depois, começarão a morrer em massa".

"Os Estados Unidos deveriam atacar Sinjar, mesmo que haja vítimas civis. É melhor isso do que deixar todo mundo morrer", pediu Dakhil.

"Sofrem desidratação, insolação e alguns deles estão seriamente traumatizados", disse à AFP a diretora do Comitê de Resgate Internacional, Suzanna Tkalec, referindo-se aos cerca de quatro mil deslocados que atendem na Síria.

Na quinta passada, 7 de agosto, 100 mil cristãos iraquianos fugiram de suas casas em Nínive, ao oeste de Mossul.

A Austrália anunciou que estuda participar da entrega de víveres, enquanto que a França disse estar "preparada para fazer parte" da ajuda aos civis, e o Reino Unido anunciou lançamentos para as próximas 48 horas.

Em seus últimos avanços, o EI tomou a represa de Mossul, amplas zonas ao leste e oeste de seus redutos no Iraque e diluiu ainda mais sua fronteira com a parte síria do "califado" proclamado em junho.

AFP