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Um carro blindado das forças governamentais, no dia 5 de julho de 2017, em frente a destruída mesquita de Al Nuri, em Mossul

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As forças iraquianas estão perto de reconquistar Mossul, último grande reduto urbano do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no Iraque, após oito meses de combates que devastaram a segunda maior cidade do país.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, elogiou as forças de segurança "pela vitória importante" contra o EI em Mossul, apesar de os combates continuarem nesta quarta-feira.

Os extremistas controlam apenas um pequeno setor da Cidade Antiga na zona oeste da cidade, mas resistem ferozmente, multiplicando os atentados suicidas.

Abadi felicitou os moradores, as forças de segurança e os líderes religiosos xiitas em uma declaração transmitida pela televisão na terça-feira à noite.

Na Cidade Antiga de Mossul, os sons das armas automáticas, dos disparos de morteiros e dos bombardeios aéreos comprovam que a batalha ainda não terminou.

Acuados na margem oeste do Tigre e cercados do outro lado pelo Exército e pela polícia, os extremistas recuam desde o início, em 18 de junho, da ofensiva na Cidade Antiga.

Apesar da expectativa, a retomada de Mossul não marcará o fim da guerra contra o EI, que ainda controla várias zonas no Iraque e na Síria.

No front, as forças de elite antiterroristas (CTS) do exército iraquiano estão a 200 metros do rio Tigre, segundo indicou à AFP o tenente coronel Haider Hussein, comandante de uma unidade das CTS.

"Em alguns bairros, o inimigo tem recorrido há três dia a suicidas, principalmente mulheres", declarou.

"É a única estratégia que lhes resta, já que não podem combater a distância", explicou, indicando que a maioria dos últimos extremistas em Mossul "são estrangeiros".

- Cheiro de morte -

Em frente à casa onde parte de sua unidade se encontra, o corpo de uma mulher foi coberto com uma túnica preta. Segundo os militares, trata-se de uma suicida que tentou se explodir horas antes.

"Instalamos corredores de evacuação seguros para que os civis possam deixar a cidade" e todos são revistados "para garantir que nenhum suicida se misture entre eles", acrescentou o tenente coronel Hussein.

Nas ruas da Cidade Antiga, roupas e vários objetos foram abandonados por civis "libertados" pelo avanço das forças iraquianas, depois de meses vivendo sob o jugo do EI, que os usavam como "escudos humanos".

Em algumas partes da localidade, o cheiro dos cadáveres abandonados é insuportável. Rios de sangue escorrem de dentro das casas destruídas por baixo das portas e escombros.

Membros das CTS percorrem o bairro com cães treinados em busca de artefatos explosivos que causaram muitas vítimas entre as forças de segurança.

As CTS avançam pelas estreitas passagens, pequenas aberturas nas paredes ou janelas. Sob o calor sufocante do verão, o fornecimento de alimentos para as tropas é realizado a pé do outro lado da Cidade Antiga por soldados que carregam água, melões, pratos de arroz e pedaços de gelo.

Os civis continuam a chegar de frente de combate, como duas mulheres e três crianças que puderam seguir caminho depois de serem interpeladas pelos soldados.

"Meu marido foi morto por um morteiro quando saiu para comprar leite para a nossa filha" e "meu pai foi executado pelo EI quando tentamos fugir" há um mês, declarou a um soldado uma das mulheres, que tremia e chorava.

AFP