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Dez mil palestinos enfrentam soldados e a polícia no posto de controle israelense de Qalandiya, durante uma manifestação contra a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza

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As esperanças de uma "trégua humanitária" mais extensa entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza foram por terra, depois da confirmação do fracasso das negociações diplomáticas nesta sexta-feira por John Kerry, que, no entanto, deixou a porta aberta para um acordo.

Em declarações no Cairo, o secretário de Estado americano afirmou que "o marco geral" de um cessar-fogo estava estabelecido, mas mencionou dificuldades de "terminologia". Ele irá no sábado a Paris, onde vai se reunir, principalmente, com os chefes das diplomacias da Turquia e do Catar, dois aliados do Hamas.

Para o ministro egípcio das Relações Exteriores, Sameh Shukri, "nenhuma das duas partes mostrou a vontade necessária para negociar" e acabar com a violência que deixou cerca de 900 mortos desde o início da operação israelense "Barreira Protetora", no dia 8 de julho.

O anúncio do fracasso já havia sido feito por Israel. Segundo a rede de televisão pública, o gabinete de segurança israelense rejeitou "por unanimidade" a proposta feita por John Kerry.

O Exército israelense vai respeitar um cessar-fogo humanitário a partir das 08h00 local (02h00 de Brasília) na Faixa de Gaza, por um período de 12 horas.

Em seu comunicado, o Exército confirmou esta "janela humanitária na Faixa de Gaza", de 08h00 às 20h00 locais.

"Os civis de Gaza, aos quais foi solicitado que deixassem suas casas, devem evitar voltar" e "o Exército responderá se os terroristas tentarem explorar este lapso para atacar soldados ou disparar contra civis israelenses", advertiu.

"Durante a trégua, as atividades operacionais para localizar e neutralizar os túneis da Faixa de Gaza vão ser mantidas", acrescentou.

Um dirigente do Hamas havia dito à AFP que seu grupo também iria respeitar um cessar-fogo de 12 horas iniciado durante a manhã de sábado.

Segundo várias autoridades citadas pelas rádios pública e militar israelenses, Israel considera favoráveis demais ao Hamas as propostas de um cessar-fogo mais longo. Israel descarta qualquer retirada de seus soldados da Faixa de Gaza durante uma trégua para negociações.

Eles estão mobilizados em terra desde 17 de julho com a missão de destruir "túneis de ataque" e o arsenal do movimento radical palestino, principalmente os foguetes que são disparados contra a população israelense.

O ministro israelense da Defesa, Moshé Yaalon, pediu nesta sexta que seus soldados se preparassem para "uma ampliação significativa das operações terrestres em Gaza", de acordo com um comunicado oficial.

Em sua página no Facebook, uma liderança do Hamas, Izzat al-Rishq, indicou apenas que o movimento "estuda uma trégua humanitária de sete dias".

O movimento islamita palestino, que controla a Faixa de Gaza, havia rejeitado na semana passada uma primeira proposta de acordo feita pelo Egito.

No Catar, o líder do Hamas, Khaled Mechaal, reiterou em várias oportunidades a condição principal de seu movimento: um compromisso de suspender o bloqueio que asfixia desde 2006 a economia do enclave palestino.

- 'Trégua humanitária' -

"O que se discute é uma trégua humanitária de sete dias para permitir que todas as partes negociem no Cairo", havia explicado antes à AFP uma autoridade ligada ao presidente palestino, Mahmud Abbas.

À espera de um hipotético cessar-fogo, os combates foram mantidos nesta sexta-feira de norte a sul de Gaza, onde, segundo um registro das equipes de resgate locais apresentado durante a noite, 864 palestinos morreram e 5.730 ficaram feridos em 18 dias de operações.

Enquanto suas estruturas são atingidas pelos incessantes ataques israelenses e Israel afirma ter matado 240 combatentes, o Hamas quer mostrar que seus meios militares não foram aniquilados. Seus foguetes, que mataram três civis desde 8 de julho, continuam a atingir Israel. Sessenta caíram em território israelense nesta sexta e quinze foram interceptados pelo sistema antimísseis 'Iron Dome' (Cúpula de Ferro), de acordo com o Exército.

O Hamas afirmou ter disparado nesta sexta três foguetes de longo alcance contra o aeroporto Ben Gurion de Tel Aviv, mas não impediu as companhias Air France e Lufthansa de anunciar uma rápida retomada das viagens interrompidas após a queda de um foguete na terça-feira.

O Exército israelense anunciou nesta sexta-feira a morte de dois soldados e confirmou a do soldado Oron Shaul, que tinha sido sequestrado pelo Hamas.

Com 35 mortos em combate, Israel sofreu suas perdas mais pesadas desde a guerra em 2006 contra o Hezbollah libanês.

O líder desse grupo, Hassan Nasrallah, pediu nesta sexta que árabes e muçulmanos combatam junto com a "Resistência" palestina em Gaza.

Israel sofre críticas cada vez maiores devido à morte de civis palestinos em sua ofensiva, principalmente crianças. O Unicef indicou um registro de "pelo menos 192 crianças" mortas na Faixa de Gaza.

No dia seguinte à tragédia na escola de Beit Hanoun (norte), onde - segundo os serviços de emergência palestinos - quinze refugiados morreram na queda um morteiro israelense, a Agência para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA) alertou novamente para a situação humanitária nesse território.

- 10% da população deslocada -

"O número de pessoas deslocadas em Gaza já é mais que o triplo do pico do conflito de 2008/9", segundo a UNWRA. O porta-voz da agência, Chris Gunness, indicou que mais de 160.000 refugiados estão em 83 refúgios, o que representa cerca de 10% da população.

Mesmo prometendo investigar o ocorrido em Beit Hanoun, como exigem a ONU e a União Europeia, o Exército israelense acusou novamente o Hamas de se usar civis como "escudos humanos", escondendo armas em escolas, mesquitas e hospitais.

Ela afirmou que um dos soldados mortos nesta sexta havia sido atingido por um disparo a partir de "uma estrutura situada perto de uma escola da ONU".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu a criação de um corredor humanitário em Gaza e a UNWRA fez um alerta para as consequências dos cortes de energia e para a escassez crônica de água nesse enclave de 362 km2 onde vivem 1,8 milhão de pessoas.

Para piorar a situação, a Cisjordânia ameaça mergulhar na violência. Confrontos foram registrados perto de Hebron, em Nablus e ainda em Jerusalém Oriental anexada.

Seis palestinos foram mortos a tiros em Hebron (sul) e Nablus (norte), aumentando para dez o número de vítimas fatais entre os palestinos na Cisjordânia nos últimos dias.

AFP