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O secretário de Estado americano, John Kerry (e), cumprimenta o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Tel Aviv, em 23 de julho de 2014.

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Os Estados Unidos ainda são a única potência capaz de conseguir um cessar-fogo em Gaza, apesar da influência em declínio e da última tentativa fracassada do secretário de Estado americano, John Kerry, de levar o processo de paz adiante.

Mal chegou aos Estados Unidos de sua última viagem de uma semana pelo Oriente Médio, Kerry já foi duramente criticado pela imprensa israelense, na segunda-feira, por ter usado o Cairo como base de operações. O secretário também foi ironizado por seus intensos esforços diplomáticos que levaram apenas a uma trégua de 12 horas. Um jornal local chegou a dizer que Kerry é um "amador que acha que pode resolver os problemas do mundo apenas com sua presença".

O secretário de Estado se defendeu das críticas, alegando que sua tentativa falhou em função dos "mal-entendidos" que bloquearam a concretização do "mapa da paz" para um cessar-fogo de uma semana, por meio do qual as negociações seriam aprofundadas.

Em contrapartida, destacou Kerry, foi possível obter uma trégua humanitária de 24 horas.

Nesta terça, John Kerry garantiu ter conversado mais uma vez com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que teria pedido que ajudasse Israel a conseguir um cessar-fogo.

Em 21 dias de conflito, mais de mil palestinos - pelo menos 70% civis - morreram em Gaza. No lado israelense, as perdas chegam a 56 vítimas fatais, incluindo 53 soldados.

"Acho que isso continuará assim por algum tempo. A menos que haja uma mudança fundamental, nenhuma das duas partes tem o desejo, nem a capacidade de se retirar", comentou o especialista Aaron David Miller, ex-diplomata americano que, no passado, esteve envolvido nos esforços de paz na região.

- Sabotagem? -

Washington alega que a imprensa israelense lançou uma campanha de desprestígio contra seu secretário de Estado, mas o fato é que a política externa americana para o Oriente Médio perdeu influência nos últimos anos. Esse recuo teria se dado, em especial, pela percepção de que a Casa Branca se afastou de processos de paz de envergadura.

"A última vez que tivemos uma política eficaz nessa região, por meio da qual éramos admirados, temidos e respeitados, era nos tempos de [George W. H.] Bush pai e de [seu secretário de Estado] James Baker, há muito tempo", ressaltou Miller, agora vice-presidente para Novas Iniciativas no programa de Oriente Médio do prestigiado grupo de reflexão ('think tank') Wilson Center, em Washington.

Mesmo assim, ele acredita que não será possível fazer nada de significativo sem os Estados Unidos e, como exemplo, cita a destruição das armas químicas na Síria.

O especialista Hussein Ibish, do centro de estudos American Task Force sobre Palestina, também considera que os Estados Unidos ocupam uma "posição única" para reunir todas as partes na mesa de diálogo - ainda que, para isso, seja preciso trabalhar com os governos do Catar e da Turquia como mediadores junto ao Hamas. O movimento é considerado uma organização terrorista por Washington.

- Sem cooperação -

Alguns observadores destacaram que nem Israel nem os palestinos receberam de forma favorável os esforços de paz de Kerry, depois de seu retumbante fracasso em conseguir um acordo global no final de abril.

"As pessoas foram educadas e se reuniram com ele, mas não esperavam sua ajuda", comentou a analista Michele Dunne, do 'think tank' Carnegie Endowment for International Peace.

Seus "esforços anteriores de paz não eram particularmente bem-vindos, e ele não teve cooperação", explicou Michelle.

Ibish alertou que o fracasso de Kerry pode prejudicá-lo, já que "as pessoas se acostumaram ao fato de que ele pode tentar algo e fracassar e também que podem dizer 'não' a Kerry e, por meio dele, ao presidente [Barack] Obama".

AFP