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Bandeira francesa cobre parcialmente o rosto de Marine Le Pen durante um ato em Perpiñán, em 15 de abril de 2017

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A uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais na França, a distância que separa os quatro principais candidatos diminui, obrigando-os a realizar um último esforço para seduzir um número sem precedentes de indecisos.

O candidato de centro, Emmanuel Macron, e a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, estão igualados, pouco à frente do conservador François Fillon e do representante da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon. A disputa está acirrada: entre três e seis pontos, segundo as últimas pesquisas que, considerando as margens de erro, dão espaço a qualquer imprevisto.

Especialmente com os indecisos em um nível recorde este ano: um em cada três eleitores não sabe ainda em quem votar.

Outros eleitores também podem mudar seu voto na última hora. Para os analistas, o modo de votação incita os eleitores a emitir um voto útil e a escolher "o candidato que menos desagrada e que tenha chance", segundo o pesquisador Michel Balinski, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS).

Em um país marcado pelos atentados recentes, um acentuado desemprego e uma economia fraca, os eleitores parecem confusos em meio a uma campanha atípica e marcada pelos escândalos.

Os eleitores de direita assistiram assim a queda da impopularidade do ex-favorito da campanha, o conservador François Fillon, após as revelações sobre os supostos empregos fictícios dados a sua esposa e a dois de seus filhos.

Fillon, que surpreendeu ganhando as primárias da direita, mantém entre 18% e 20% das intenções de voto, mas não tem muito espaço entre os indecisos. Sua passagem para o segundo turno "só é possível com uma queda de um de seus dois principais rivais, Macron ou Le Pen", opina Emmanuel Rivière, diretor da empresa de pesquisas Kantar Sofres.

O ex-primeiro-ministro (2007-2012) tenta, na reta final, mobilizar o eleitorado católico e conservador.

Neste fim de semana, em campanha no centro do país, pronunciou um discurso vibrante sobre a França, sua identidade e o patriotismo, em provocação ao "europeísmo" e ao "islã".

- Oferta dividida à esquerda -

O avanço nessas últimas semanas de Jen-Luc Mélenchon pode ser favorável a seus partidário, forçando a uma mobilização dos eleitores de direita. Os fillonistas promovem a ameaça de um segundo turno entre dois extremos, insistindo sobre a popularidade de Marine Le Pen.

À esquerda, o desconcerto não é menor diante de uma oferta dividida: vencedor surpresa das primárias em seu setor, o socialista Benoît Hamon sofre com o avanço de Mélenchon e a união de socialistas em torno de Emmanuel Macron.

Hamon, entretanto, não desanima e percorreu o oeste do país neste final de semana de Páscoa para tentar convencer indecisos.

"Estarei no segundo turno", afirmou, por sua vez, Mélenchon ao jornal Le Parisien. Acusado de populista por seus detratores, o líder da França Insumisa, um grupo antiglobalização crítico em relação à Europa, desmente ser de extrema-esquerda e se descreve como um homem "apaixonado" e insubmisso à ordem estabelecida por capitalistas e liberais.

Durante este tempo, Macron, com 39 anos de idade, parece querer evitar qualquer risco. Ele se apresenta como quem "nem é de esquerda, nem de direita", e encarna o francês "tranquilo, sereno e decidido".

Seu grande sucesso nesta campanha fez com que ele se tornasse o principal alvo de seus adversários, e especialmente de Marine Le Pen.

A líder da Frente Nacional o atacou diretamente em um encontro no sábado, afirmando que, com ele, o poder "será o do islamismo em marcha" (em referência ao nome do partido de Macron, Em Marcha!).

E pediu a seus seguidores: "Cada um de vocês deve convencer um indeciso ou levar pela mão um abstencionista".

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