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Presidente François Hollande em pronunciamento oficial transmitido em rede nacional, em 1º de dezembro de 2016

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A Presidência de François Hollande, que termina no próximo domingo, esteve marcada por uma onda de atentados sem precedentes e pela indignação social que despertou sua política econômica, criticada, inclusive, dentro de seu próprio partido.

A seguir, alguns dos momentos mais destacados dos cinco anos de seu mandato.

Atentados extremistas

Desde janeiro de 2015, uma onda de atentados, reivindicados ou inspirados por grupos extremistas deixaram 239 mortos na França.

Diante destes atentados, os mais mortais da história recente da França, François Hollande fez um chamado de unidade ao país ante o terrorismo.

Quatro dias depois do ataque à redação do semanário satírico Charlie Hebdo, seguido de um atentado contra a polícia e um supermercado judaico, mais de 3,7 milhões de pessoas foram às ruas em toda a França.

A esta maré humana se uniram cinquenta chefes de Estado e de governo, que fizeram uma marcha solene em Paris, respondendo ao convite de Hollande.

Em 13 de novembro, três comandos jihadistas semearam a morte em Paris, ao lançar ataques coordenados perto do Stade de France, em terraços de cafés e restaurantes e na casa de shows Bataclan. Cento e trinta pessoas morreram.

"A França está em guerra", declarou Hollande, que instaurou o estado de emergência no país e fez votar várias leis antiterroristas. O exército começou a patrulhar as ruas e os locais estratégicos, medidas que continuam em vigor hoje em dia.

Operações militares

François Hollande, chege das Forças Armadas francesas, lançou em janeiro de 2013 uma intervenção no Mali para deter o avanço de combatentes islamitas que controlavam o norte do país.

Em dezembro, tropas francesas intervieram na República Centro-africana para restaurar a segurança neste país castigado por uma onda de violência inter-religiosa.

No mesmo ano, Hollande pediu para intervir na Síria, assolada por mais de dois anos de guerra, mas não contou com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nem do Reino Unido.

A França lançou seus primeiros bombardeios na Síria na segunda metade de 2015, no âmbito de uma coalizão internacional extremista comandada pelos Estados Unidos. No Iraque, realiza bombardeios e missões de Inteligência contra o grupo Estado Islâmico (EI) desde setembro de 2014.

Casamento gay

Em 23 de abril de 2013, o governo socialista aprovou uma lei que autoriza o casamento e a adoção por casais do mesmo sexo assinada pela ministra Christiane Taubira.

Esta lei, apoiada por François Hollande, mostrou brechas existentes entre as diferentes posturas existentes na França sobre o tema. Os debates intensos duraram meses e pelas ruas da França desfilaram virulentas manifestações de opositores defendendo os valores da família tradicional.

Acordo sobre o clima

Hollande demorou em mostrar interesse nas questões ambientais, mas depois de um intenso trabalho diplomático conseguiu convencer os dirigentes do mundo a assinar um acordo cujo objetivo é limitar o aquecimento global a 2º graus Celsius com relação aos níveis pré-industriais.

Um total de 196 países assinaram um acordo histórico sobre o clima em dezembro de 2-15, em Paris.

Uma agitada vida privada

François Hollande tinha se mostrado extremamente crítico à exposição nos meios de vida privada de seu antecessor, Nicolas Sarkozy, e jurou que seria "exemplar" neste ponto.

No entanto, em 10 de janeiro de 2014, uma revista de fofocas revelou, com reportagem ilustrada, que Hollande mantinha um relacionamento paralelo com a atriz Julie Gayet, enquanto convivia no Eliseu com a jornalista Valérie Trierweiler.

Quinze dias depois, anunciou "o fim de sua vida comum" com Valérie Trierweiler. Esta última escreveu cinco meses depois um livro de confidências "Merci pour ce moment" (Obrigada por esse momento), um sucesso de vendas que salpicou a imagem de Hollande.

Medidas econômicas

Em janeiro de 2014, Hollande deu uma guinada espetacular em sua política econômica e orientou-se para os empresários ao anunciar que o governo previa cortar 30 bilhões de euros de cotações sociais às empresas no marco de um "pacto de responsabilidade".

Este gesto foi criticado com força no âmbito do Partido Socialista (PS), onde vários "rebeldes" levantaram suas vozes contra a medida.

Os protestos nas ruas foram constantes, contra uma mudança na legislação trabalhista para flexibilizar as condições das demissões. Após meses de mobilizações, o texto foi aprovado sem discussão no Parlamento.

O último gesto: renúncia ou reeleição

Em 1º de dezembro de 2016, Hollande anunciou que renunciava a se apresentar a um novo mandato, uma decisão inédita na história da França.

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