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(2014) O ex-presidente peruano Alberto Fujimori, durante uma audiência em Lima

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Em seu aniversário de 78 anos, Alberto Fujimori se encontra solitário em sua cela, onde, diariamente, escreve suas memórias. Com a saúde debilitada e condenado por crimes contra a humanidade, o ex-presidente peruano empreende uma campanha em sua busca pelo indulto.

Em uma declaração de próprio punho - confirmou uma fonte próximo à família para AFP - Fujimori entregou, através de sua defesa, na última sexta-feira um pedido de indulto por razões humanitárias, alegando a piora de seu estado de saúde depois de quase nove anos em uma prisão de uma base policial, especialmente feita para ele.

Esta "bomba" recairá no colo do presidente que assume hoje, Pedro Pablo Kuczynski, e que já adiantou ser "altamente improvável" indultar Fujimori, ainda que tenha se mostrado a favor de uma lei que permita presos como ele cumprirem o resto da pena em prisão domiciliar.

Em 2013, o ex-presidente peruano teve negado um primeiro pedido de indulto que foi solicitado por sua família. E no início deste ano, o Tribunal Constitucional declarou-se contra a anulação do processo pelo qual ele foi sentenciado a 25 anos de prisão, até 2032, quando completará 94 anos.

Ele foi acusado como autor indireto do assassinato de 25 pessoas - casos La Cantuta e Barrios Altos - pelas mãos de um esquadrão da morte, durante sua luta contra a guerrilha maoista Sendero Luminoso. Também por sequestro agravado pela detenção arbitrária de um empresário e um jornalista.

"Cada negativa é um novo golpe, ele fica deprimido, mas volta a se levantar", acrescentou a fonte. O novo relatório da comissão que avalia seu indulto deve sair em dois meses.

Do câncer à hipertensão

Fujimori, que governou o Peru entre 1990-2000, instaurando um regime autocrático em 1992, tem dias lúcidos e outros de depressão, contam seus parentes à AFP. Nos primeiros anos dedicou-se à pintura, mas problemas no braço após uma queda limitaram essa atividade. Por enquanto, escreve suas memórias em espanhol, depois de uma primeira versão feita em japonês.

"É uma pessoa de 78 anos. Teve a língua operada seis vezes, três delas por conta de um câncer e as outras três foram intervenções no período de lesão pré-maligna. Esse único fato complica sua saúde. A isso acrescenta-se a hipertensão, gastrite e problemas vasculares", contou à AFP seu ex-ministro de Saúde e médico de família, Alejandro Aguinaga.

Alberto Kaynia Fujimori, engenheiro agrônomo, nasceu em Lima no dia 28 de julho de 1938, dia que coincide com a comemoração da independência do Peru. Assim declararam seus pais, ainda que seu nascimento no Peru tenha sido colocado em dúvida durante seu governo, com versões que asseguravam que na realidade ele tinha nascido no Japão. Mas nada foi provado.

Possui a dupla nacionalidade por suas origens, permitindo que se refugiasse no Japão quando renunciou à presidência do Peru em 2000, em meio a um escândalo de compra de votos de congressistas e de linhas editoriais de meios de comunicação.

Também postulou, sem sucesso, ao Parlamento japonês durante sua estadia no país. Viajou para o Chile em 2005 e logo foi extraditado para o Peru em 2007. Desde então, permanece preso.

Para seus simpatizantes, Fujimori levantou a economia do Peru - após o catastrófico primeiro governo de Alan García (1985-1990) - e derrotou as guerrilhas que semeavam o terror no país.

Sem apoio do partido

Segundo uma fonte próxima a ele, Fujimori percebeu que desta vez a luta tem que ser realizada sozinho. "Ele tem consciência de que nem sua filha, Keiko Fujimori, nem o 'Fuerza Popular' (partido fujimorista) vão fazer muito por ele, porque não convém politicamente promover o indulto. Não apenas está preso, como cada dia mais solitário", disse a fonte.

Apesar de Keiko, sua herdeira política, ter perdido a eleição para Kuczynski, o fujimorismo conseguiu 73 das 130 cadeiras no Parlamento, frente as 18 do "Peruanos Por el Kambio", partido do novo presidente.

Para o diretor da consultora política Vox Populi, Luis Benavente, o fujimorismo tem habilidade para lidar com a vitimização e o discurso populista, considerando que em algum momento o Fuerza Popular irá utilizar o assunto para negociar. "Não querem a prisão domiciliar sem um Fujimori indultado, com todos os seus direitos, que faça política e até seja candidato", considerou.

Para Aguinaga, seu médico, "há um claro manejo político" do indulto. Segundo ele, pessoas condenadas por terrorismo foram indultados por doenças menores, como hérnia ou diabetes. "Ele tem o benefício do indulto", acrescentou.

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AFP