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Pessoa tremula bandeira da Colômbia, em Bogotá, em 30 de novembro de 2016

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Um funcionário do Escritório das Nações Unidas de Combate às Drogas e ao Crime (ONUDC) foi sequestrado na Colômbia durante uma viagem para promover a substituição de cultivos ilícitos, no momento em que o Conselho de Segurança realiza uma visita ao país.

O presidente Juan Manuel Santos, que implementa com apoio da ONU um acordo de paz com a guerrilha das FARC para superar meio século de conflito, declarou que uma delegação do governo partiu para o local do sequestro do funcionário que está em poder "da dissidência das FARC".

"Espero que volte a estar conosco em muito pouco tempo", afirmou o presidente na televisão após uma reunião com o Conselho de Segurança da ONU durante a qual analisou o estado da aplicação do pacto selado em novembro.

Pouco antes, o governo havia indicado que "rejeita este lamentável fato que atenta contra a substituição voluntária de cultivos ilícitos com as famílias dedicadas ao cultivo de coca em diferentes zonas do país, e contra a integridade do funcionário da ONUDC".

Em uma declaração emitida pouco depois, o Sistema das Nações Unidas na Colômbia rejeitou a retenção do funcionário, que não teve seu nome ou nacionalidade revelados, ocorrida no dia anterior, no departamento de Guaviare (sudeste).

"Estamos trabalhando com as autoridades competentes para a libertação imediata e segura", indicou a ONU no comunicado.

Uma unidade de elite do grupo antissequestro da polícia, liderada pelo general Fernando Murillo, já foi enviada à região para tratar do caso em coordenação com seus colegas das forças militares, indicou à AFP uma fonte policial.

A Colômbia, principal produtora mundial de coca, com 96.000 hectares de plantio, e de cocaína, com 646 toneladas em 2015, segundo a ONU, aposta na implementação do acordo de paz como forma de combater o narcotráfico e promover o desenvolvimento das áreas rurais.

O sequestro ocorreu na quarta-feira, horas antes dos embaixadores do Conselho de Segurança da ONU chegarem na Colômbia para apoiar o processo de paz com os guerrilheiros das FARC.

O Conselho participa do processo com uma missão de supervisão do desarmamento dos rebeldes. A missão receberá ao amanhecer mil armas dos rebeldes.

"É um incidente grave, não foi inocente, há uma intenção por trás desse covarde fato e não mudará a atitude e o interesse do Conselho de Segurança e das Nações Unidas para contribuir com um processo que os colombianos iniciaram", declarou à Blu Radio Elbio Rosselli, embaixador do Uruguai na ONU, cujo país lidera a visita junto com o Reino Unido.

Rafael Pardo, alto conselheiro para o Pós-Conflito, Direitos Humanos e Segurança da Colômbia, considerou "absolutamente inaceitável" o ocorrido e afirmou que espera a libertação do funcionário da ONU "sã e salvo".

"Este funcionário estava ontem (quarta-feira) em uma sessão de socialização do programa nacional de substituição de cultivos (...) com 400 pessoas em Barranquillita, Guaviare. E foi sequestrado depois dessa reunião", explicou a jornalistas.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assinaram em novembro um pacto com Santos. Em cumprimento ao acordo, os rebeldes preparam o processo para tirar da ilegalidade cerca de 7.000 combatentes.

No pacto de paz, a guerrilha aceitou desvincular-se do negócio das drogas, combustível da conflagração interna desde os anos 1980.

Contudo, dissidentes da guerrilha atuam como um grupo armado organizado que rejeita o acordo de paz e segue envolvido com atividades de narcotráfico.

Sobre a entrega das armas, a missão da ONU indicou em um comunicado nesta quinta-feira que "entregará nos próximos dias ao Governo da Colômbia os certificados da entrega das armas pelos rebeldes, o que permitirá das seguimento ao trâmite que tirará esses integrantes das FARC da ilegalidade".

As FARC estão agrupadas em 26 pontos no país cumprindo o processo de desarmamento, cujo fim está previsto para o final de maio.

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