Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Caixão é retirado da residência de Kohl, em Oggersheim, Alemanha

(afp_tickers)

A morte de Helmut Kohl revelou as profundas disputas na família do "pai da reunificação da Alemanha", assombrando as homenagens oficiais para celebrar sua memória.

O conflito entre a segunda esposa do ex-chanceler, Maike Kohl-Richter, e os dois filhos de sua primeira união, explodiu nesta quarta-feira em frente à casa de Ludwigshafen (oeste), onde Helmut Kohl vivia há anos.

Graças às câmeras de televisão posicionadas em frente à residência desde o anuncio, no dia 16, da morte desta grande figura da história alemã, todo o mundo viu Walter, o filho mais velho de 53 anos, ser impedido de entrar na casa onde cresceu com seu irmão Peter e sua mãe Hannelore, que cometeu suicídio em 2001.

Kohl morreu na mesma casa e seu caixão foi levado ao local na terça-feira.

Os dois netos de Helmut Kohl também foram repelidos por policiais.

- Uma esposa onipresente, 34 anos mais nova do que Kohl -

Responsável pelo espetáculo: a segunda esposa de Helmut Kohl, Maike Kohl-Richter, 34 anos mais nova do que o falecido marido, com que casou discretamente há nove anos.

A imprensa alemã, à qual Maike quase nunca faz declarações, desenha o retrato de uma mulher onipresente que controlava o debilitado idoso de 87 anos.

A organização das cerimônias oficiais também foi cercada de polêmica.

Maike Kohl-Richter queria vetar a chanceler Angela Merkel ao não convidá-la para falar na cerimônia europeia prevista para 1º de julho em Estrasburgo (leste da França), revelou o jornal Der Spiegel.

A viúva queria que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, muito criticado na Europa por suas posições autoritárias, discursasse.

Diante de um possível escândalo, acabou cedendo, mas Merkel será apenas mais uma autoridade entre as demais que falarão na cerimônia.

Os observadores veem nesse gesto uma vingança, porque Angela Merkel, que deve a Helmut Kohl o lançamento de sua carreira política, terminou por abandoná-lo após o escândalo de financiamento oculto do partido da União Cristã-Democrata (CDU) no final dos anos 90. Um golpe que Kohl nunca perdoou.

- Pai ausente -

Walter Kohl, que não mantinha contato com o pai há anos, soube de sua morte pelo rádio. Em um livro best-seller, contou os sofrimentos de sua infância à sombra de um "gigante político" que para ele foi apenas um pai ausente.

Apesar da morte de Helmut Kohl ter comovido poucos alemães, as imagens de Walter, muito parecido com seu pai, com os olhos marejados, plantado em frente à entrada da casa de Ludwigshafen rodou a Alemanha.

Por meio de seu advogado, Maike Kohl-Richter justificou que não abriu a porta a Walter Kohl porque ele não respondeu a um pedido por telefone para organizar o funeral. O filho de Kohl declarou ser mentira.

Para muitos jornais, Maike Kohl-Richter é a guardiã zelosa da herança política de seu esposo. Não admite a mínima crítica aos 16 anos de Kohl no poder, entre 1982 e 1998.

Muito debilitado após vários problemas de saúde, Helmut Kohl precisava de cadeiras de rodas e falava com dificuldades em razão de uma traqueostomia.

Ex-funcionária da chancelaria em Bonn, Maike Kohl-Richter conheceu Helmut Kohl em 1994. O casamento foi celebrado quando ele tinha 78 anos de idade.

Sua nova esposa, que segunda a imprensa usava as roupas da primeira esposa de Kohl, o afastou de sua família e amigos. Sua casa foi transformada em um museu à glória deste veterano da política, segundo seu filho mais novo.

Historiadores e especialistas temem agora uma "batalha por documentos". Qual será o destino das milhares de cartas, agendas e outros documentos de Helmut Kohl, agora em mãos da polêmica segunda esposa?

AFP