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O ministro das Finanças russo Anton Siluanov, após reunião do Banco Mundial em Washington DC, no dia 13 de outubro de 2017

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O futuro da Venezuela, à beira da moratória, depende em parte de seus dois principais credores, a Rússia, mas sobretudo a China, cujo apoio à renegociação da dívida é até o momento uma incógnita, segundo os economistas.

Nesta quarta-feira (8), o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, citado pela agência Interfax, anunciou que a Rússia e a Venezuela chegaram "a um acordo para reestruturar" a dívida de Caracas com Moscou, sem entrar em detalhes.

A reestruturação da dívida significaria uma renegociação dos vencimentos, podendo até mesmo reduzir uma parte da dívida.

A agência russa RIA Novosti citou o embaixador venezuelano na Rússia, Carlos Faría Tortosa, informando que a assinatura de um acordo entre os dois países poderá acontecer até 15 de novembro.

Em 13 de novembro haverá em Caracas uma reunião com os credores do país, convidados pelo governo para renegociar a dívida externa estimada em aproximadamente 150 bilhões de dólares.

Deste montante, 28,1 bilhões de dólares seriam emprestados pela China, e 9,1 bilhões pela Rússia, ou pelo gigante semipúblico russo Rosneft, segundo os cálculos de Mark Walker e Richard Cooper, dois especialistas em dívidas soberanas.

Algumas fontes estimam, entretanto, que a dívida da Venezuela com a China pode ser ainda maior.

O governo venezuelano se limitou durante muito tempo a saldar seus próprios vencimentos, como os da companhia petrolífera PDVSA, apesar da situação econômica desastrosa.

No entanto, devido às sanções impostas pelos Estados Unidos, que barram o acesso de Caracas ao mercado financeiro, o governo venezuelano não poderá pagar os próximos vencimentos, de cerca de 2 bilhões de dólares, em novembro, segundo o escritório Aristimuño Herrera & Asociados.

As agências de risco alertaram sobre a iminência de um calote, talvez até o final desta semana, segundo os analistas da Capital Economics.

- 'O fundo dos cofres' -

Risa Grais-Targow, especialista sobre Venezuela do grupo Eurasia Group, aponta que o país já está "atrasado no pagamento de cerca de 750 milhões de dólares" e "raspa o fundo dos cofres" enquanto suas reservas caem ao nível mais baixo em vinte anos.

Com este panorama, todos lançam seus olhares agora para Moscou e Pequim.

A Rússia, que já em 2015 aceitou reestruturar a dívida da Venezuela, é considerada a parceira mais flexível da Venezuela.

"Há dois fatores que fazem a Rússia ser mais aberta do que outros credores. Em primeiro lugar, no contexto de seus empréstimos, a Rosneft recebeu participações em campos de petróleo venezuelanos. Segundo, construir uma aliança com um país tão próximo (geograficamente) dos Estados Unidos pode ser percebido como uma vantagem geopolítica", explicou William Jackson, da Capital Economics.

Oleg Kouzmin, economista da Renaissance Capital, lembra que a "Rússia perdoou a dívida de alguns países recentemente, entre eles Cuba e Coreia do Norte". Kouzmin destaca ainda que a quantia para Moscou "não é tão significativa".

O grande desafio do presidente venezuelano Nicolás Maduro poderá ser o de obter um respaldo financeiro chinês.

"É possível que a China, preocupada por seus interesses nacionais, entre nas negociações, por exemplo, sobre o acesso aos campos de mineração e petrolíferos", sabendo que a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo, afirmou à AFP Hu Xingdou, um universitário que vive em Pequim.

"Temos por princípio a não ingerência nos países estrangeiros, mas por outro lado os dois países mantêm há muito tempo relações de amizade e de cooperação de longo prazo", recorda Zhu Chaoping, economista da UOB Kay Hian em Xangai.

Ele ressalta, contudo, que "a Venezuela não é o Sudão, onde a China obteve permissões de exploração petrolífera" para suas próprias companhias.

Para Christopher Dembik, do Saxo Bank, é sobre o petróleo venezuelano que se baseará todo o apoio de Pequim e de Moscou.

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AFP