AFP

O presidente americano Donald Trump, em Roma, no dia 24 de maio de 2017

(afp_tickers)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúne pela primeira vez nesta sexta-feira na cidade italiana de Taormina (sul) com seus aliados do G7, que esperam saber mais sobre as intenções do líder da maior potência mundial.

Os chefes de Estado e de governo das outras seis maiores potências econômicas ocidentais se perguntam sobre as medidas que o novo presidente americano vai tomar sobre temas como o aquecimento global e o acordo de Paris, o comércio internacional e a Coreia do Norte.

Quatro meses depois do início da 45ª presidência dos Estados Unidos, muitos são os assuntos que continuam pendentes.

Donald Trump, que se comprometeu a esclarecer a posição dos Estados Unidos sobre as mudanças climáticas antes da cúpula, chega sem uma resposta ao evento.

O presidente adiou a decisão e acredita nos conselho de seus assessores mais próximos, entre eles sua filha, Ivanka, que acompanha o pai em sua primeira viagem internacional, de nove dias.

A Itália, que preside neste ano o G7, composto também por Japão, Alemanha, França, Canadá e Grã Bretanha, ainda mantém a esperança de encontrar um terreno comum.

Peito 'aberto'

Os seis chefes de Estado e de governo desejam se apresentar com o peito "aberto" ao novo presidente dos Estados Unidos e evitar dar a impressão de aliar-se contra ele, segundo explicaram fontes diplomáticas italianas.

"Isso não impedirá que alguns países, entre eles a Itália e a Alemanha, reiterem sua posição sobre a importância que o acordo de Paris tem sobre a mudança climática", assegurou a mesma fonte.

A chanceler alemã, Angela Merkel, reforçou nesta semana a posição da Alemanha assim como seu compromisso para reduzir as emissões de gases pelo efeito estufa.

"Vou tentar convencer os céticos", adiantou nesta quarta-feira a veterana política.

Outro tema importante é o relacionado com o comércio internacional. Os chamados "sherpas", assessores das delegações, continuam negociando vários pontos de uma declaração comum.

"O presidente Trump vai encerrar sua primeira viagem internacional na Sicília, na cúpula do G7, onde ressaltará a liderança dos Estados Unidos e denunciará as práticas desleais no comércio internacional", advertiu o influente assessor americano para a Segurança Nacional, Herbert Raymond McMaster.

Com essas declarações o tom subiu e as "possibilidades de fricções são muito altas", comentou Julianne Smith, analista do Centro para a Segurança das América(CNAS).

"Há líderes que não acreditam na visão da economia que Trump tem", acrescentou.

A presidência italiana do G-7 também quer trazer para o primeiro plano a situação da África, não só por sua proximidade geográfica, como também para buscar uma saída conjunta ao grave fenômeno das migrações.

Por isso, convidou os líderes de cinco países africanos: Tunísia, Níger, Nigéria, Quênia e Etiópia, de onde vêm boa parte dos imigrantes e refugiados que fogem das guerras e da fome.

Apesar disso, os líderes do G-7 concordaram até agora em só mencionar o tema na declaração final sem ir além, segundo fontes diplomáticas italianas.

O texto final será muito mais curto do que os das cúpulas anteriores, um reflexo fiel da complexa situação mundial.

Um terreno comum

Além das dificuldades para entender a nova linha da administração americana, vários líderes do G7 acabam de ser eleitos, entre eles o da França.

Os líderes do G-7 certamente vão encontrar um terreno comum através da declaração que emitirão contra o terrorismo, na qual reconhecem a necessidade de estar unidos para combater esse flagelo.

Uma mensagem forte, promovida pelo primeiro ministro italiano Paolo Gentiloni, e decidido após o terrível atentado em Manchester, no Reino Unido, que causou a morte de 22 pessoas, entre elas várias crianças e adolescentes.

O presidente dos Estados Unidos conclui em Taormina uma viagem de nove dias com etapas na Arábia Saudita, em Israel, no Vaticano e em Bruxelas, que o manteve longe das polêmicas em seu país sobre o papel da Rússia em sua campanha eleitoral.

Nesse contexto, um eventual retorno da Rússia ao G-8, como no passado, seria inconveniente, segundo várias fontes diplomáticas.

AFP

 AFP