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Visitante observa a tela "Oliveiras", de Vincent van Gogh no Kunstmuseum em 23 de abril de 2009

(afp_tickers)

Quando um museu de Kansas City pôs sob o microscópio uma pintura de Vincent van Gogh, encontrou um intruso inusual: um gafanhoto preso nos redemoinhos de pintura sobre a tela durante 128 anos.

Mary Schafer, restauradora do The Nelson-Atkins Museum of Art, se deparou com o pequeno corpo marrom seco enquanto estudava a pintura "Oliveiras" do artista holandês.

"Tratava sobretudo de entender as diferentes camadas da pintura e como foi feita, e foi assim que eu encontrei parte do corpo deste pequeno gafanhoto", disse à AFP.

"O fato de termos essa pequena surpresa de um gafanhoto é uma forma divertida de ter um novo olhar de um Van Gogh".

A descoberta, anunciada nesta semana, reflete a prática do artista de pintar ao ar livre, onde frequentemente ventava o suficiente para carregar poeira e insetos.

"Devo ter recolhido um centena de moscas ou mais nas quatro telas que você receberá, para não mencionar poeira e areia", escreveu Van Gogh a seu irmão Theo em uma carta em 1885.

O paleo-entomólogo Michael Engel, da Universidade de Kansas, disse à equipe do museu que faltavam o tórax e o abdômen do gafanhoto, e que não havia sinais de movimento na pintura ao redor do inseto, o que indica que ele já estava morto quando pousou na tela de Van Gogh.

"Oliveiras" é parte de uma série de 18 pinturas que Van Gogh fez sobre o tema em 1889 em Saint-Remy-de-Provence, na França, onde se internou voluntariamente em um manicômio. Ele morreu no ano seguinte.

A descoberta do The Nelson-Atkins Museum of Art faz parte de um esforço que envolve curadores, restauradores, cientistas externos para revisitar sua coleção de 104 pinturas e pastéis franceses usando uma variedade de ferramentas, incluindo raios X, luz ultravioleta, microscópio e colhendo minúsculas mostras das obras.

Ao observar uma pequena porção de "Oliveiras", o cientista restaurador John Twilley determinou que Van Gogh utilizou um tipo de pigmento vermelho do lago que se desbotou com o tempo devido à exposição à luz.

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AFP