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Theresa May em uma cerimônia pelo Dia da Commonwealth, na Abadia de Westminster, em 12 de março de 2018

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O governo britânico aumentou a pressão nesta terça-feira (13) sobre Moscou para que dê explicações sobre sua hipotética relação com a tentativa de assassinato de um ex-espião russo em solo britânico. O governo do presidente russo, Vladimir Putin, respondeu em tom desafiador.

"É importante que se entenda a gravidade do ocorrido", disse em uma entrevista à televisão o ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson.

Trata-se "da primeira vez que se usam gases nervosos na Europa desde a Segunda Guerra Mundial", acrescentou Johnson.

Serguei Skripal, de 66 anos, foi encontrado em 4 de março em estado crítico junto com sua filha Yulia em um parque em Salisbury (sul da Inglaterra), onde vivia já anos. Um policial que tentou ajudá-los também se encontra em estado grave.

Moscou insistiu em sua inocência, atribuiu as acusações a uma tentativa de desprestígio e pediu a Londres amostras do agente nervoso neurotóxico usado no ataque.

"Exigimos com uma nota oficial acesso a esta substância e a todos os fatos da investigação, porque uma das vítimas é a cidadã russa Yulia Skripal", filha do ex-espião, disse o chanceler russo, Serguei Lavrov.

A embaixada russa em Londres pediu uma "investigação conjunta", e advertiu que haverá uma resposta contundente caso Londres aplique algum tipo de sanção.

E dirigindo-se à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), o embaixador russo Alexander Shulgin criticou as autoridades britânicas por seus "ataques mesquinhos" a Moscou e por "fomentar a histeria".

May manteve consultas com seus principais aliados.

A Rússia deve dar "respostas inequívocas" ao ataque, exigiu o presidente Donald Trump após um telefonema a May. Em particular, Moscou deve explicar "como esta arma química", conhecida como Novichok, "desenvolvida na Rússia, foi utilizada no Reino Unido".

A chanceler alemã Angela Merkel declarou que considerava "muito sérias" as acusações britânicas e o presidente francês Emmanuel Macron condenou o que classificou de "ataque inaceitável".

A crise entre Moscou e Londres pode agravar-se após a morte de outro exiliado, Nikolái Glushkov, de 69 anos, que foi encontrado morto em seu domicílio em New Malden, um subúrbio de Londres, segundo a imprensa britânica.

Glushkov, cuja morte ainda não foi confirmada oficialmente, era próximo ao milionário Boris Berezovski, um inimigo do Kremlin que foi encontrado enforcado em 2013 no Reino Unido.

- Expulsão de diplomatas, um cibertaque...-

Na quarta-feira, após nova reunião do Conselho Nacional de Segurança (NSC), May comparecerá no Parlamento e poderá revelar o pacote de medidas contra a Rússia.

Entre as possibilidades de Londres, citadas nos últimos dias, estão a expulsão de diplomatas, o lançamento de um ciberataque ou a apreensão de bens dos membros do círculo de Vladimir Putin suspeitos de violação dos direitos humanos.

Também pede-se o bloqueio das transmissões no Reino Unido da RT - a rede de televisão pública russa - ou o fechamento de sua sucursal em Londres, mas Moscou já avisou que, neste caso, responderia com a proibição ao trabalho de toda a mídia britânica na Rússia.

Menos provável é que seus aliados aceitem se somar à imposição de novas sanções, estimou Sam Greene, diretor do Instituto da Rússia na Universidade King's College de Londres.

"Será difícil", disse Greene à AFP, lembrando a tentativa frustrada da Holanda de pactuar uma resposta à derrubada de um avião civil seu na Crimeia, supostamente por um grupo apoiado por Moscou. "As opiniões na Europa já estão muito divididas".

No Parlamento, May disse que é "muito provável" que a Rússia esteja por trás do atentado, baseando-se em sua histórica liquidação de dissidentes e antigos agentes, e no gás nervoso usado, do tipo Novichok, fabricado em laboratórios militares russos a partir dos anos 1970 e mais potente do que o sarin e o VX.

- Polícia pede colaboração de testemunhas -

O cientista que revelou o programa de armas químicas russo, Vil Mirzayanov, que agora vive nos Estados Unidos, disse que sofrer um ataque com gases Novichok é como ser torturado.

"É uma autêntica tortura, é impossível de imaginar. Aindo em pequenas doses, a dor pode durar semanas. O horror é inimaginável", explicou o jornal britânico Daily Mail sobre este gás que paralisa e impede de respirar antes de matar.

May era ministra do Interior na época do assassinato, em Londres, de Alexander Litvinenko, em 2006, um crime com uma sustância radioativa (polônio-210) cometido com o consentimento de Putin, segundo as conclusões da investigação oficial.

A resposta se limitou à expulsão de vários diplomatas e o congelamento de alguns poucos bens.

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AFP