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Jérôme Chappellaz, diretor de investigação do Centro Nacional francês de Investigação Científica, realiza um teste de gelo procedente da Bolívia, no dia 17 de agosto de 2017 na cidade francesa de Grenoble

(afp_tickers)

O gelo dos picos dos Alpes e dos Andes será estudado em Grenoble, no sudeste da França, para compreender a história do clima e as informações recolhidas serão como uma máquina do tempo para os cientistas.

Um armazém frigorífico privado em uma zona industrial a 10 km da cidade, situada aos pés dos Alpes franceses, recebeu nesta quinta-feira toneladas de gelo boliviano.

Divididos em 250 amostras cilíndricas de um metro, os "testemunhos de gelo" sul-americano percorreram um périplo de 10 mil km em 50 dias. A operação foi inédita para a unidade logística Ulisse, do Centro Nacional de Pesquisa Científica francês (CNRS).

O projeto internacional Ice Memory, de preservação do gelo de montanhas do mundo todo ameaçado pelo aquecimento global, acaba de superar uma nova etapa.

"Tínhamos começado em agosto de 2016 com uma mostra do Dôme (4.300 metros), na cúpula de Mont Blanc e lá, em junho, aconteceu a segunda operação no glaciar de Illimani, a 6.300 metros de altitude, bem ao lado de La Paz", conta Jérôme Chappellaz, diretor de pesquisa no CNRS e cofundador do projeto Ice Memory.

"A terceira operação será conduzida em 2019, com nossos companheiros russos, no glaciar do monte Elbrús, no cáucaso russo entre o mar Negro e o mar Cáspio", acrescenta o glaciólogo.

"Isso se tudo correr bem", diz, porque o projeto depende dos fundos arrecadados com financiadores privados para subsidiar os esforços dos pesquisadores.

Ao todo, o projeto vai custar 2 milhões de euros. "Temos a metade", aponta Chappellaz.

- Uma ciência 'jovem' -

O Projeto Ice Memory não pretende apenas extrair amostras de gelo e estudá-las, mas também armazená-las na Antártida, "o melhor congelador do mundo", em uma caverna que ainda será construída, a 10 metros de profundidade.

A 1.100 km adentro do continente branco, as temperaturas médias são de -55º C, independente de qualquer eventualidade energética.

Enquanto esperam que o mostruário mundial fique pronto dentro de três ou quatro anos, os investigadores vão estudar os materiais extraídos das montanhas de gelo.

Alpina ou andina, cada mostra de gelo vai servir para medições de referência. "Vamos realizar todas as análises geoquímicas e físicas que formos capazes de fazer atualmente para informar às gerações futuras".

O Illimani tem "essa incrível oportunidade de nos transportar a 18.000 anos no passado, à época da última glaciação do nosso planeta", conta Chappellaz, entusiasmado.

Assim, poderiam ser rastreadas as marcas do fenômeno meteorológico conhecido como El Niño, através dos últimos milênios, para entender seu fortalecimento nos últimos anos, em especial em 2016.

Os cientistas também sabem que a ciência das amostras de gelo, surgida nos anos 1960, é "jovem" e ainda que atualmente seja voltada para o meio ambiente e o clima, ela poderá evoluir, conforme surjam avanços tecnológicos e novas ideias científicas.

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AFP