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General da Aviação venezuelana reconhece o opositor Juan Guaidó

(Arquivo) Foto tirada em 5 de julho de 2017 mostra uma aeronave durante parada militar para celebrar a independência venezuelana, em Caracas afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 02. fevereiro 2019 - 13:17
(AFP)

O general da divisão da Aviação venezuelana Francisco Yánez não reconheceu o presidente Nicolás Maduro em um vídeo divulgado neste sábado (2) nas redes sociais, convertendo-se no militar na ativa de mais alto escalão a reconhecer, por sua vez, o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó.

"Me dirijo a vocês para informá-los que não reconheço a autoridade ditatorial e autoritária de Nicolás Maduro e reconheço o deputado Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela", declarou Yánez, que aparece uniformizado no vídeo, em um local desconhecido.

Yánez, diretor de Planejamento Estratégico do alto comando da Aviação, na base aérea de La Carlota (Caracas), assegurou que "90%" da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) "não estão com o ditador, estão com o povo da Venezuela".

A Aviação Militar publicou em sua conta no Twitter uma foto de Yánez com a palavra "traidor".

"Manifestamos o nosso mais enérgico rechaço à atitude criminosa" de Yánez, "que trai seu juramento de lealdade à pátria, à institucionalidade e ao nosso comandante em chefe, Nicolás Maduro", escreveu o general Juan Teixeira, comandante da Defesa Aeroespacial da FANB.

"A transição à democracia é iminente. Continuar mandando a Força Armada seguir reprimindo o nosso povo é continuar com as mortes de fome, de doenças e, Deus me livre, de combates entre nós mesmos", advertiu Yánez.

Segundo o general rebelado, "companheiros democratas" do grupo aéreo presidencial lhe informaram que "o ditador tem todos os dias dois aviões prontos". "Que vá embora!", enfatizou.

"É um duro golpe para a FANB, embora não tenha comando", disse à AFP a especialista em questões militares Rocío San Miguel.

Guaidó, que neste sábado comanda uma manifestação exigindo a saída de Maduro do poder, oferece anistia aos militares que tentarem quebrar o principal apoio do governo, a Força Armada.

"Convido todo o povo da Venezuela a sair pacificamente às ruas e defender o nosso presidente Juan Guaidó. Aos meus companheiros de armas, peço que não deem as costas ao povo (...), não reprimam mais", acrescentou Yánez, em um momento em que protestos opositores deixaram em uma semana 40 mortos e 850 detidos, segundo a ONU.

A cúpula da Força Armada declarou em várias ocasiões sua lealdade absoluta a Maduro, mas há fissuras.

Em 21 de janeiro, dois dias antes do chefe do Parlamento se autoproclamar presidente interino, 27 militares da Guarda Nacional se rebelaram e, após se entrincheirarem em um quartel de Caracas, foram detidos.

A rebelião fez explodir surtos de violência, com pequenos protestos e roubos.

A ONG Controle Cidadão, presidida por San Miguel, calcula que 180 efetivos tenham sido detidos em 2018 acusados de conspirar, e 10.000 membros da Força Armada tenham pedido baixa desde 2015.

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