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(Arquivo) O ex-presidente americano George W. Bush

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O ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush denunciou nesta quinta-feira (19) a tentação isolacionista política e econômica que toma conta dos Estados Unidos, em um discurso no qual a sombra de Donald Trump, a quem não citou, pareceu estar presente.

"A intolerância parece ser incentivada. Nossos debates políticos parecem mais vulneráveis às teorias da conspiração e às manipulações", declarou o ex-presidente republicano em Nova York, durante uma conferência organizada pelo instituto que leva seu nome.

O argumento "muito facilmente se torna animosidade" e "o desacordo escala para a desumanização", acrescentou o ex-presidente.

Diferentemente de seu sucessor, o democrata Barack Obama, Bush tem falado muito pouco publicamente sobre Trump ou o estado da política americana este ano.

Ele se negou a apoiar a candidatura do bilionário e, em grande medida, se manteve distante da disputa política.

O discurso desta quinta-feira rompeu com este silêncio, em um sinal da preocupação de um ex-líder em um momento único na história da nação.

"Vimos o nacionalismo distorcido em nativismo e esquecemos o dinamismo que as inovações sempre trouxeram aos Estados Unidos", acrescentou Bush, após meses de esforços de Trump para frear a imigração e o fluxo de refugiados ao país. "Perdemos a confiança na economia de mercado e no comércio internacional, esquecendo que os conflitos, a instabilidade e a pobreza são as consequências do protecionismo".

"Observamos o retorno de ideias isolacionistas, esquecendo que a segurança dos Estados Unidos está ameaçada pelo caos e pela desesperança que atingem locais distantes, de onde emergem o terrorismo e as epidemias, as facções e o tráfico de drogas".

Embora tenha reconhecido que alguns americanos eram vítimas da globalização, considerou que "não é possível" acabar com este fenômeno, da mesma forma que "não pudemos impedir a revolução agrícola nem a revolução industrial".

"A intolerância e a supremacia branca, sob qualquer forma, insultam os princípios americanos", declarou, dois meses depois de Trump afirmar que "ambas as partes" eram culpadas, quando uma manifestação neonazista na Virgínia descambou para a violência.

- "Intimidação e preconceito" -

O 45º presidente dos Estados Unidos, de 71 anos, também repreendeu a Rússia por sua suposta intromissão nas eleições americanas de 2016 e seu esforço por "confrontar os americanos entre si" e "explorar as divisões" do país.

"Os Estados Unidos devem endurecer suas próprias defesas" frente aos ataques externos, avaliou.

No entanto, Bush dedicou boa parte de sua fala ao atual clima político americano e às firmes divisões que vieram à tona desde que Trump anunciou sua candidatura em 2015.

"A intimidação e os preconceitos em nossa vida pública estabelecem um tom nacional", destacou. "A única forma de transmitir os valores cívicos é primeiro estar à altura deles".

Também esboçou os passos para melhorar o estado da democracia americana. "Temos que recordar e recuperar nossa própria identidade", disse. "Os americanos temos uma grande vantagem. Para renovar nosso país, só devemos recordar nossos valores".

Os comentários de Bush ecoaram em Washington. "Obrgigado, George W. Bush, por dizer a verdade sobre @realDonaldTrump e aqueles que o habilitam", tuitou Ted Lieu, um legislador democrata, feroz crítico do atual presidente.

"Discurso importante do meu amigo", reagiu o senador John McCain, que disputou com Bush a candidatura à Presidência republicana no ano 2000.

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AFP