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Governo é acusado de querer tornar invisíveis mortos por COVID-19 no Brasil

Coveiro usa roupa especial durante sepultamento de vítima da COVID-19 no cemitério Recanto da Paz, na ilha de Marajó, no Pará, em 30 de maio de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 06. junho 2020 - 19:39
(AFP)

Autoridades sanitárias regionais acusaram neste sábado (6) o governo do presidente Jair Bolsonaro de "invisibilizar" os mortos por COVID-19, depois que um secretário designado pelo Ministério da Saúde questionou a contagem de óbitos na pandemia.

"A tentativa autoritária, insensível, desumana e anti-ética de dar invisibilidade aos mortos pela Covid-19 não prosperará", manifestou-se, em nota, o Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), que reúne os secretários regionais de saúde.

Nesta sexta, o ministério adotou um novo formato de balanço, que inclui apenas as mortes e os casos registrados em 24 horas, desestimando os números totais da pandemia.

O portal que compilava os dados saiu do ar na sexta e voltou neste sábado, exibindo apenas os números do último dia. O apagão impede ver os dados totais da pandemia no Brasil, assim como balanços regionais e diários.

"Do ponto de vista de saúde, é muito ruim, é uma tragédia o que a gente está vendo, de desmanche da informação. Não informar significa o Estado ser mais nocivo do que a doença, ser mais nocivo do que o vírus", disse o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante uma Live nas redes sociais neste sábado.

Também na sexta, Carlos Wizard, nomeado para assumir a secretaria da Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, disse ao jornal O Globo que a contagem de mortos na pandemia seria revisto, pois os dados atuais seriam "fantasiosos ou manipulados".

O Brasil é o segundo país do mundo com mais casos e o terceiro com mais mortes pela COVID-19, totalizando, respectivamente 645.771 e 35.026, segundo cifras da sexta-feira.

"Sua declaração grosseira, falaciosa, desprovida de qualquer senso ético, de humanidade e de respeito, merece nosso profundo desprezo, repúdio e asco", diz a nota da Conass.

Em entrevista à AFP no sábado, Wizard disse que os números não serão revistos. "Nós não estamos interessados em desenterrar os mortos, nós não queremos rever o passado, estamos mais preocupados com o presente e o futuro", disse.

No entanto, Wizard questionou a contabilidade feita nas semanas anteriores, afirmando que meios de comunicação teriam publicado casos de pessoas que, sem sintomas da doença, tiveram a COVID-19 como causa de morte.

Bilionário que fez parte da fortuna com uma escola de idiomas que leva seu nome, Wizard foi convidado a compor a pasta chefiada interinamente pelo general Eduardo Pazuello.

Pazuello, terceiro titular no cargo durante a pandemia, tem seguido as diretrizes defendidas pelo presidente Bolsonaro como ampliar a recomendação do uso da hidroxicloroquina e modificou a divulgação dos dados oficiais de mortes e contágios.

Wizard também questionou a abordagem de Mandetta na gestão da pandemia e destacou a inclusão da hidroxicloroquina no tratamento da doença.

"Quando surgiram os primeiros casos (no Brasil), a orientação era de que com os primeiros sintomas não se devia ir ao hospital porque ia causar uma aglomeração de pessoas. Se a doença evoluísse, aí sim, se devia buscar atendimento médico. Lamentavelmente, seguindo essa conduta, perdemos milhares de brasileiros", disse Wizard.

Ele acrescentou que a gestão atual recomenda o "tratamento precoce" nos primeiros sintomas com um kit de vários medicamentos, entre eles a hidroxicloroquina.

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