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Governo afegão anuncia morte de dezenas de talibãs em combates no sul do país

(Arquivo) Funcionário municipal limpa os destroços após ataque com foguete na capital afegã afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 13. dezembro 2020 - 11:04
(AFP)

Dezenas de talibãs morreram em combates violentos na madrugada de sábado para domingo entre forças afegãs e os insurgente que tentaram assumir o controle de postos militares na província de Kandahar (sul), reduto do grupo, anunciou o governo de Cabul.

"As forças de segurança impediram os ataques e mataram 51 terroristas. Outros nove ficaram feridos", afirmou o ministério da Defesa em um comunicado.

Os talibãs executaram ataques quase simultâneos contra postos de controle militar em cinco distritos ao redor da cidade de Kandahar, capital da província de mesmo nome. As forças afegãs responderam por ar e terra, segundo o ministério.

Sete membros de uma família morreram em um dos bombardeios aéreo das forças afegãs no distrito de Arghandab, indicou à AFP uma fonte do governo local que pediu anonimato.

"A Força Aérea afegã tinha como alvo um automóvel repleto de explosivos (...) mas quando o atingiu, a explosão provocou a morte de civis", completou a fonte, antes de informar que o carro estava próximo a uma casa.

Os combates, tiros e bombardeios duraram várias horas na província.

O ministério da Defesa afirmou que está investigando o incidente. Os talibãs não reagiram até o momento.

A província de Kandahar é o berço do movimento talibã e a cidade de mesmo nome foi a capital de seu regime nos anos 1990. Embora a cidade esteja atualmente sob controle do governo, muitos distritos são controlados ou estão em disputa com os insurgentes.

Há algumas semanas, os talibãs iniciaram uma ofensiva nos distritos vizinhos à cidade de Kandahar, como Zherai, Dand, Panjwai e inclusive Arghandab.

Em outubro, os insurgentes executaram uma ação na província vizinha de Helmand, que obrigou dezenas de milhares de habitantes a abandonar suas casas.

A ofensiva, que teve como alvo principal Lashkar Gah, capital de Helmand, provocou ataques aéreos dos Estados Unidos em defesa das forças afegãs.

Os insurgentes se comprometeram a não atacar os principais centros urbanos nem as forças americanas desde a assinatura de um acordo entre os talibãs e Washington em fevereiro.

Mas o grupo intensificou os ataques contra as forças afegãs, sobretudo nas áreas rurais, apesar das negociações em curso entre as partes.

As conversações de paz começaram em setembro no Catar. Os insurgentes e o governo afegão anunciaram no sábado uma pausa até 5 de janeiro nas negociações.

As reuniões enfrentaram dificuldades até recentemente por disputas sobre o marco básico das discussões e interpretações religiosas.

As partes em conflito iniciaram negociações diretas pela primeira vez, após um histórico acordo de retirada de tropas americanas.

Representantes talibãs e de Cabul indicaram em tuítes separados que trocaram "listas preliminares dos assuntos (a incluir) na agenda de negociações e celebraram debates introdutórios sobre os temas".

Nos últimos meses, Cabul foi cenário de vários ataques violentos, geralmente reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), incluindo o lançamento de um foguete no sábado que matou um civil.

Neste domingo, uma bomba acoplada a um veículo matou dois civis na capital afegã, informou a polícia.

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