Navigation

Governo anuncia concessões mas caminhoneiros mantêm greve

Caminhoneiros bloqueiam vias em São Paulo, em protesto contra aumento de preços do diesel, em 21 de maio de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 22. maio 2018 - 14:07
(AFP)

O governo brasileiro anunciou nesta terça-feira que eliminará a Cide sobre o diesel e a gasolina, na tentativa de acabar com a greve dos caminhoneiros contra a alta dos combustíveis, mas a proposta não contentou os manifestantes, que pretendem manter a paralisação.

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou um acordo com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, para eliminar o imposto sobre o diesel e a gasolina (Cide), e pediu aos caminhoneiros que suspendam a greve.

Mas a medida é considerada insuficiente pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam): "Até um posicionamento efetivo do governo, a entidade pede firmeza nos protestos em todas as regiões do país", declarou o presidente da entidade, José da Fonseca Lopes.

Nesta terça-feira, os caminhoneiros bloquearam estradas na maioria dos estados brasileiros, aumentando a pressão sobre o governo e pondo à prova a nova política de preços da Petrobras.

Os protestos, a menos de cinco meses das eleições, obrigaram o aeroporto internacional de Brasília a "usar com mais cautela" o combustível dos aviões, pois os fornecedores ficaram retidos no entorno da capital nacional.

A greve teve maior incidência sobre estados do sul e sudeste. Nesta segunda-feira, 21 estados registraram bloqueios.

Os caminhoneiros exigem uma redução dos preços do diesel. Desde o início de maio, o preço do diesel das refinarias (antes dos impostos) subiu 12% e o da gasolina 14%.

Mas a estatal se recusa a rever essa política, que considera fundamental para sua estratégia de recomposição financeira e de imagem - após ter se envolvido no maior escândalo de corrupção do Brasil.

"Na abertura da reunião, foi logo esclarecido que de maneira nenhuma o objetivo seria o governo pedir qualquer mudança na política de preços da Petrobras", disse o presidente da petroleira, Pedro Parente.

"Parece pouco provável que Temer reduza a nova autonomia política de preços da Petrobras, porque isso poderia provocar a saída do CEO Pedro Parente", afirmou a consultoria Eurasia Group em nota de análise. "Uma compensação mediante corte de impostos parece mais provável, embora devam ser modestos, diante da oposição do Ministério da Fazenda", completa.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.