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Fotos de desaparecidos durante a última ditadura argentina (1973/1984) em Buenos Aires em 24 de março de 2015

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A organização humanitária Avós da Praça de Maio denunciou nesta segunda-feira a eliminação de um escritório responsável pela identificação de bebês roubados durante a ditadura argentina (1976-1983), e exigiu do presidente Mauricio Macri a sua reabertura imediata.

Trata-se da direção de Direitos Humanos do Ministério da Segurança, onde funcionava o chamado Grupo Especializado de Assistência Jurídica (AGEAJ) para o recolhimento de amostras de sangue para a identificação de crianças desaparecidas.

"Este setor tem tido um papel fundamental na pesquisa documental e na produção de relatórios para auxiliar as investigações criminais por crimes contra a humanidade", indicou a organização em um comunicado.

O órgão estima que cerca de 500 bebês foram roubados ao nascer em prisões clandestinas e depois entregues sob outra identidade. Seu trabalho permitiu reencontrar 119 dessas crianças.

A mudança veio à tona através da publicação do novo organograma do Ministério da Segurança na última sexta-feira.

O AGEJ foi criado a pedido das Avós para impedir que a coleta de amostras de sangue permanecesse nas mãos das forças de segurança, que "em muitos casos agiram em cumplicidade com os apropriadores, forjando amostras para tornar impossível o reconhecimento" dos bebês roubados, indicou a agência.

As Avós pediram ao presidente Mauricio Macri que "adote as medidas necessárias para reverter esta grave decisão".

Caso contrário, a organização humanitária ameaça denunciar esta medida ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Esta não é a primeira briga entre a organização e o governo de centro-direita de Macri, que tomou posse em 10 de dezembro.

A remoção, em janeiro, do neto recuperado Horacio Pietragallia Corti da presidência do Arquivo Nacional da Memória que funcionava na exEsma, a maior prisão clandestina mantida pela ditadura, também causou tensão.

AFP