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O promotor Alberto Nisman, falecido há dois meses e meio, em evento promovido pela comunidade judaica, no dia 16 de julho de 2013. Nisman foi encontrado morto, dentro de seu apartamento, na véspera de audiência onde apresentaria denúncia Cristina Kirchner

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O governo argentino intimou para prestar depoimento na próxima segunda-feira um ex-chefe do serviço de inteligência e informante do falecido procurador Alberto Nisman, por irregularidades na investigação do atentado antissemita de 1994, informou nesta quarta-feira uma fonte oficial.

"Há evidências de má conduta ou condutas demoradas e irregulares na investigação do atentado à bomba contra a associação mutual judaica AMIA", afirmou Oscar Parrilli, secretário da nova Agência de Inteligência durante coletiva de imprensa.

O atentado de junho de 1994 deixou um saldo de 85 mortos e 300 feridos.

O ex-chefe de inteligência, demitido de seu cargo em dezembro, é Antonio Stiuso, que foi colaborador próximo de Nisman, a quem levava relatórios de agências de inteligência de outros países, segundo denúncias do Governo.

"Queremos que nos informe se fez algo em todos estes anos. Se há um relatório, onde está e se o levou, que o entregue", declarou Parrilli na sede do Governo.

O Governo também afirmou que Stiuso deve dar explicações sobre sua relação com Nisman, procurador do caso Amia, encontrado morto no último 18 de janeiro em circunstâncias misteriosas.

Nisman morreu com um tiro na cabeça. Os peritos conseguiram provar que o disparo foi realizado com uma pistola que estava junto a seu cadáver e que havia sido emprestada por um colaborador da Procuradoria, Diego Lagomarsino.

O procurador apareceu morto quatro dias depois de ter denunciado a presidente, Cristina Kirchner, e o chanceler Héctor Timerman, por acobertar ex-governantes iranianos, entre eles o ex-presidente Ali Rafsanjani, pelo ataque à AMIA.

A investigação da morte de Nisman se encontra envolvida em um emaranhado judicial por discrepâncias entre a família do procurador, a qual afirma ter sido assassinado, e a defesa de Lagomarsino, o único acusado por ter lhe entregado a arma.

A ex-esposa de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado, pede que a procuradora do caso Viviana Fein seja afastada da investigação ao questionar sua atuação. Fein assegura que ainda não se sabe se foi um crime ou um suicídio.

A denúncia de Nisman motivou outro grave conflito jurídico entre procuradores que pedem para investigá-la e juízes que a rejeitam por inexistência de delito.

Nisman afirmou que houve um pacto de Kirchner com Teerã para encobrir os acusados, mas os juízes de primeira e segunda instâncias consideram que não há nenhum indício nem prova sobre o acordo.

Devido ao escândalo pela relação de Stiuso com Nisman, o governo conseguiu apoio do Congresso para dissolver a Secretaria de Inteligência e fundar uma nova agência.

AFP