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O presidente argentino, Mauricio Macri, em Buenos Aires, no dia 9 de maio de 2016

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A Argentina expressou nessa quinta-feira confiança na solidez da democracia do Brasil, seu principal parceiro comercial na região, após o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Para o governo argentino, essa pode ser uma "oportunidade" para refundar o Mercosul.

A reação do governo de Mauricio Macri diante da crise brasileira rendeu críticas dos opositores de esquerda, que viram nas declarações oficiais o que consideram "um reconhecimento ao golpe institucional" contra Dilma.

Dilma foi suspensa de seu cargo por 180 dias nesta quinta-feira por decisão do Senado e será submetida a um julgamento de impeachment por suposta maquiagem das contas públicas.

"Diante dos acontecimentos registrados no Brasil, o governo argentino manifesta que respeita o processo institucional que se está desenvolvendo e acredita que a situação consolidará a solidez da democracia brasileira", diz o texto divulgado pela chancelaria do país.

O chefe de Gabinete, Marcos Peña, acrescentou que o governo argentino defende "a paz e o diálogo" e admitiu que a Argentina vê com muita preocupação a situação econômica.

"O Brasil é nosso vizinho, nosso irmão, nosso aliado estratégico", ressaltou Peña em declaração à rede de televisão pública.

O ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay, questionou a política econômica do Brasil consultado durante um fórum de empresários sobre a crise vizinha: "O Brasil vai entender que sua maneira de se integrar ao mundo não pode ser individual", afirmou.

"É preciso aproveitar essa oportunidade para trocar ofertas entre Mercosul e a União Europeia. Se conseguirmos esse acordo, terá sentido discutir um acordo entre Mercosul e Aliança do Pacífico", disse o ministro ao La Nación.

O governo de centro-direita de Mauricio Macri disse que "continuará dialogando com as autoridades constituídas com o objetivo de seguir avançando com o processo de integração bilateral e regional".

O presidente argentino não fez declarações públicas sobre o processo, que terminou nesta quinta-feira com a suspensão da presidente.

A ex-presidente argentina de centro-esquerda Cristina Kirchner (2007-2015), que manteve uma relação excelente com Dilma enquanto era presidente, também não fez declarações públicas, nem através das redes sociais, meio pelo qual costuma se expressar desde que deixou o cargo, em 10 de dezembro.

Repúdio local

Dois líderes da oposição a Macri e ex-adversários pela presidência em 2015 criticaram o afastamento de Dilma e a postura da Argentina.

O vice-presidente do Partido Justicialista, Daniel Scioli, disse que "observa com indignação" o afastamento de Dilma.

"Estão atacando um projeto político, econômico e social representado pelo PT, nascido de um grande estadista como Lula. É uma injustiça. Sou um fiel defensor da governabilidade e institucionalidade, seja do partido que for", disse Scioli, ex-candidato presidencial kirchnerista.

O líder da esquerda, Nicolás del Caño, repudiou "o reconhecimento e o apoio do governo argentino ao golpe institucional que acontece no Brasil".

"Querem fazer passar como um processo constitucional normal, mas o impeachment não se baseia em nenhuma prova de corrupção, mas em atos administrativos do governo, sem apontar qualquer delito, como pressupõe a própria Constituição brasileira que dizem defender", acrescentou.

Preocupação chilena

O Chile, por sua vez, se manifestou preocupado pelos acontecimentos dos últimos tempos no Brasil, e classificou de amiga a presidente Dilma Rousseff.

"O Governo do Chile expressa sua preocupação com os acontecimentos dos últimos tempos nesta nação irmã, que geraram incerteza em nível internacional, considerando a relevância do Brasil no âmbito regional", disse um comunicado da chancelaria chilena.

O texto afirma que o "Chile seguiu com atenção" os eventos políticos recentes no Brasil, classificando de amiga a presidente Dilma Rousseff, também destacando que com ela "mantivemos excelentes relações".

AFP