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O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, anuncia em entrevista coletiva a assinatura do cessar-fogo

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O governo de Juan Manuel Santos e os rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN) acertaram nesta segunda-feira (4), em Quito, um cessar-fogo temporário que entrará em vigor a partir de 1º de outubro na Colômbia.

Em uma mensagem transmitida pela televisão aos colombianos, Santos considerou que o acordo com a última guerrilha ativa no país é uma "ótima notícia" de boas-vindas ao papa Francisco, que apoiou a assinatura de paz com a ex-guerrilha das Farc.

O cessar-fogo bilateral "entrará em vigor em 1º de outubro. Terá uma validade inicial de 102 dias, ou seja, até 12 de janeiro do próximo ano", explicou Santos.

O acordo marca o maior avanço desde que as negociações começaram em fevereiro, com o objetivo de acabar com um conflito de mais de meio século.

Durante esse período de trégua, também "vão cessar os sequestros, ataques a oleodutos e outras hostilidades contra a população civil", disse Santos.

O presidente deixou em aberto a opção de renovar o acordo "na medida em que avancemos nas negociações sobre os outros pontos".

O pacto será formalizado em Quito pelas delegações de paz do governo e do ELN. Detalhes ainda serão divulgados.

A organização rebelde enfatizou o anúncio no Twitter e disse esperar que a visita do sumo pontífice propicie novos compromissos a favor de uma "paz completa". De acordo com as autoridades, o ELN tem cerca de 1.500 combatentes.

"Depois dos dias de celebração que acompanham a presença de Francisco na Colômbia, continuaremos empenhados em avançar na direção de um desarmamento do conflito, até que a Paz Completa seja uma realidade", afirmou a guerrilha.

A ONU emitiu um comunicado no qual saúda o acordo como "um passo concreto para o pleno respeito e aplicação do Direito Internacional Humanitário", e que também contribuirá para construir "a confiança no processo de paz".

O conflito na Colômbia, que além das forças do Estado e guerrilhas envolve grupos narcotraficantes e de extrema-direita, deixou 7,5 milhões de vítimas, entre mortos, desaparecidos e deslocados.

O papa fará uma visita de cinco dias à Colômbia, onde promoverá a reconciliação, depois de apoiar o acordo que permitiu o desarmamento de 7.000 combatentes e a transformação em um partido político das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Nascido em 1964, assim como as Farc, o ELN cresceu sob a influência da Revolução Cubana e da Teologia da Libertação, uma corrente da Igreja Católica que defende a luta pelos mais pobres.

O acordo alcançado nesta segunda-feira encerra o terceiro ciclo de negociações entre o governo e o grupo armado. Na década de 1990, eram liderados pelo padre espanhol Manuel Pérez.

Nos últimos dias, as delegações avançavam sobre a questão do cessar-fogo, mas dois ataques atribuídos ao ELN - um contra um oleoduto e outro contra uma patrulha fluvial que deixou três soldados feridos e um morto - derrubaram os diálogos.

Esperava-se que a suspensão bilateral das ações militares começasse a produzir efeitos com a chegada de Francisco.

Agora, "as partes devem discutir os mecanismos de supervisão e de acompanhamento, bem como medidas específicas para a diminuição da intensidade do conflito", aponta o cientista político Victor De Currea-Lugo.

"Isso exige um trabalho mais detalhado, e é por isso que o início da interrupção das hostilidades foi adiado", acrescentou o professor da Universidade Nacional da Colômbia e especialista no grupo guerrilheiro.

Outros observadores acreditam, porém, que o cessar-fogo com o ELN pode ser mais frágil do que aquele firmado com as Farc.

"A falta de coesão no ELN é uma grande diferença com as Farc (...) O problema é garantir o cumprimento do cessar-fogo em uma organização que não é centrada, não tem coesão interna", afirmou à AFP Camilo Echandía, analista de conflitos e professor da Universidade Externado da Colômbia.

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AFP