Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

O comandante guerrilheiro das Farc Joaquín Gómez discursa durante os diálogos de paz com o governo colombiano, em Havana, no dia 17 de junho de 2015

(afp_tickers)

O governo da Colômbia e a guerrilha comunista das Farc retomaram nesta quarta-feira as negociações de paz em Havana para iniciar a discussão sobre justiça, em meio à desconfiança mútua e a renovadas hostilidades no país.

Neste ciclo de negociações, as partes devem começar a discutir sobre a justiça para os crimes cometidos durante o conflito armado de meio século e preparar, simultaneamente, o caminho para um eventual fim definitivo das hostilidades, as quais recrudesceram nas últimas semanas.

Os diálogos foram retomados com duras críticas das Farc ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos, a quem acusaram de ter feito um discurso "recheado de distorções e mentiras brancas" sobre o processo de paz durante uma viagem que faz pela Europa.

"Os pontos de vista do presidente, explicando os acordos parciais de Havana, são uma encenação distorcida do pactuado" entre as duas equipes de negociação, informou à imprensa o comandante guerrilheiro Joaquín Gómez.

"Na interpretação da política antidrogas se induz apontar a insurgência como a responsável pelo narcotráfico para ocultar o peso específico que tem neste negócio capitalista internacional, a lavagem de ativos por parte de banqueiros corruptos", acrescentou.

A delegação do governo, chefiada por Humberto de la Calle, não deu declarações à imprensa ao entrar nesta quarta-feira no Palácio de Conversações de Havana, sede das negociações.

O conflito colombiano deixou 220.000 mortos e seis milhões de deslocados, segundo cifras oficiais.

Entrega de menores de 15 anos

A delegação de paz das Farc antecipou nesta segunda que neste ciclo de negociações - o 38º desde novembro de 2012 -, esperava selar um "protocolo" com seu contraparte para a entrega dos menores de 15 anos que permanecem "refugiados" em seus acampamentos.

O governo diz que estes menores foram recrutados à força pela guerrilha.

Nenhuma das duas delegações deu à imprensa detalhes ou números sobre os menores que devem ser entregues.

As duas partes acertaram até agora três dos seis pontos da agenda de paz, além de um programa de retirada de minas, e agora devem discutir sobre justiça, um dos capítulos do ponto sobre a indenização das vítimas, discutido há um ano.

As partes têm profundas divergências sobre a justiça, pois as Farc afirmam que o governo de Santos pretende prender os líderes guerrilheiros.

Pausa para jogo Brasil x Colômbia

No que sim há consenso entre as duas delegações é na torcida para que a seleção de futebol vença o Brasil, esta noite, em jogo da Copa América, no Chile.

De fato, as duas delegações farão uma pausa nos trabalhos para assistir pela televisão - em separado - à partida.

"Assistimos porque é uma coisa patriótica, além disso o futebol une os povos", disse à AFP um líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior guerrilha do país.

Simultaneamente à discussão sobre a justiça, uma "subcomissão" conjunta, formada por generais e guerrilheiros, continuará neste ciclo de deliberações sobre um cessar-fogo definitivo, o que parece distante após o recrudescimento das hostilidades na Colômbia nas últimas semanas.

Esta equipe técnica, sem capacidade negociadora, é liderada pelo general Javier Flórez, do lado do governo, e pelos comandantes Joaquín Gómez e Carlos Lozada, do lado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior guerrilha do país.

O governo colombiano celebra paralelamente diálogos preliminares com o guevarista Exército de Libertação Nacional (ELN) a fim de estabelecer um processo de paz formal.

No fechamento do ciclo anterior, em 4 de junho, o governo e as Farc acertaram criar uma Comissão da Verdade sobre o conflito.

A atual rodada de negociações termina em 27 de junho.

AFP