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A Penitenciária Estadual de Alcaçuz, perto de Natal, em 14 de janeiro de 2017, durante a rebelião que deixou 10 mortos

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Pelo menos 26 presos foram brutalmente assassinados, alguns deles decapitados e esquartejados, no confronto deflagrado no sábado entre grupos criminosos na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal.

"Foram verificados 26 mortos", declarou o secretário estadual de Segurança Pública, Caio Bezerra, neste domingo à noite, com a rebelião controlada pela Polícia Militar após 14 horas de violência.

Este é o terceiro grande motim do ano em prisões brasileiras, em meio a uma sangrenta guerra pelo controle do tráfico de drogas no país. Em 15 dias, já são mais de 100 mortos.

As forças de segurança entraram neste domingo de manhã na penitenciária de Alcaçuz, a maior do Rio Grande do Norte, cerca de 14 horas depois do início da rebelião.

"A situação está absolutamente controlada", disse mais cedo o secretário Caio Bezerra, em uma coletiva de imprensa.

Na entrevista coletiva, o secretário estadual de Justiça, Walber Virgolino, já havia admitido que as autoridades trabalhavam com a hipótese de que "mais de dez detentos mortos".

A rebelião começou na tarde de sábado, antes das 17h, quando os presos de um dos pavilhões invadiram a ala onde ficam os membros de um grupo criminoso rival.

As forças de segurança cercaram o lado de fora da penitenciária e tiveram de esperar até hoje de manhã para entrar nos pavilhões com veículos blindados, já que os detentos tinham cortado a energia elétrica e estavam fortemente armados.

O coordenador da administração penitenciária estadual, Zemilton Silva, apontou na véspera que havia pelo menos três corpos decapitados, um símbolo recorrente do nível de violência que se vive nas prisões superpopulosas do país.

Auxílio e fuga

Em sua conta do Twitter, o presidente Michel Temer disse que está acompanhando o caso de perto e que ordenou que se preste "todo o auxílio necessário" ao Rio Grande do Norte.

O Ministério da Justiça convocou os secretários de Segurança de todos os estados do país para uma reunião na próxima terça-feira (17) para estudar "medidas imediatas para a crise do sistema penitenciário". Além das matanças recentes, uma série de fugas tem sido registrada em diferentes instituições.

Na madrugada deste domingo, 28 presos fugiram do presídio Piraquara I, em Curitiba, após um grupo de 15 cúmplices explodir um muro do centro e confrontar os policiais com armas de guerra.

A Secretaria de Segurança do Paraná informou que dois homens foram abatidos durante a fuga e que outros quatro foram capturados. No lugar do confronto, foram encontrados fuzis de grande calibre e uma metralhadora Uzi.

"A situação dentro da prisão está controlada", disse à AFP uma assessora do governo do Paraná.

Parte do grupo que atacou o presídio invadiu uma casa próxima ao local e fez uma mulher de refém, mas se entregou depois da chegada de um batalhão de operações especiais da Polícia.

As autoridades continuam rastreando os demais fugitivos.

Superlotação

A penitenciária de Alcaçuz fica a cerca de 25 quilômetros de Natal em uma área rodeada de dunas. Segundo dados da Secretaria estadual de Justiça, o centro tem capacidade para 620 presos, mas abriga 1.083.

As prisões brasileiras se tornaram palco de uma guerra pelo controle do narcotráfico, a qual as autoridades atribuem às duas maiores facções do país: o Primeiro Comando da Capital, o PCC, paulista, e o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, e seus aliados.

"Existe uma luta pelo poder, pelo domínio do tráfico de drogas no Brasil. Uma luta que vem de outros estados e em que os grupos tentam ganhar espaço. E o espaço no mundo do crime se ganha com força e violência", explicou Walber Virgolino.

De acordo com os jornais locais, a disputa em Alcaçuz acontece entre o PCC e o Sindicato do Crime, aliado ao CV. Já a Secretaria estadual de Segurança afirma que ainda está investigando "a participação de facções" na rebelião.

Na terça-feira (10) passada, o governo mobilizou 200 homens da unidade especial da Força Nacional nos estados de Amazonas e Roraima, após dias de matanças em grande escala em suas prisões.

Em Manaus, capital do Amazonas, 56 presos morreram em um motim no último 1º de janeiro, na segunda maior chacina penitenciária registrada no país. Fica atrás apenas do massacre do Carandiru, em 1992, quando 111 detentos morreram.

Quatro dias depois, o horror se repetiu em um presídio de Boa Vista, capital de Roraima, onde 33 detentos foram mortos.

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AFP