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Humberto de la Calle, líder da delegação colombiana para negociações de paz com as Farc, é visto em 8 de maio de 2015

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O governo da Colômbia e a guerrilha comunista das Farc acordaram nesta sexta-feira o "roteiro" para a retirada das minas, que começará nos departamentos de Antioquia (norte) e Meta (centro), anunciaram os negociadores em Havana.

"Definimos o roteiro para a implementação do projeto piloto de desminagem, com o apoio da organização Ajuda Popular Noruega, ANP, acordado e anunciado em 7 de março de 2015", declararam as partes em um comunicado conjunto ao iniciar um recesso de duas semanas nas negociações de paz.

"Também estabelecemos o desenvolvimento técnico e logístico para a implementação das atividade em cada fase do projeto" de retirada, que começará nos departamentos (estados) de Antioquia (norte) e Meta (centro), acrescentaram.

O compromisso para limpar as minas terrestres implantadas em ao menos 668 dos 1.100 municípios da Colômbia durante o conflito é o primeiro que concordam as duas partes, que estão negociando a paz em Havana desde novembro de 2012.

Desde 1990 as minas terrestres deixaram 11.006 vítimas na Colômbia, entre mortos e feridos, segundo o governo. Elas estão distribuídas em pelo menos 668 municípios dos 1.100 municípios do país.

O chefe dos negociadores do governo, Humberto de la Calle, destacou que esta decisão "é a primeira e mais importante medida conjunta para a desescalada" do conflito armado em meio século, enquanto seu contraparte, Iván Márquez, afirmou que a retirada das minas e a trégua unilateral decretada pelas Farc desde dezembro "vão retirando obstáculos antes considerados intransponíveis".

"Sem sombra de dúvida, trata-se de um passo para acabar com a tragédia das minas, que foram cruelmente colocadas em nossos campos", disse De la Calle.

Apesar deste avanço, as negociações seguem paralisadas quanto à reparação às vítimas do conflito armado, um tema que será tratado no próximo ciclo de negociações, que começará em 21 de maio.

No próximo 16 de maio completa um ano desde que as partes concluíram o ponto anterior da agenda, o das drogas ilícitas, sem conseguir entrar em acordo sobre a reparação às vítimas.

Especialistas já tinham advertido que seria dos mais complexos nas negociações, iniciadas em novembro de 2012.

O conflito colombiano já deixou 220.000 mortos e 5,5 milhões de refugiados, segundo dados oficiais.

AFP