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Governo de Maduro diz que milhares de venezuelanos pediram repatriação

Pessoas viajam à fronteira com o Peru em um ônibus disponibilizado pelo governo equatoriano para venezuelanos que fogem da crise em seu país, em Tulcán, Equador, em 24 de agosto de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 29. agosto 2018 - 19:44
(AFP)

O governo do presidente Nicolás Maduro assegurou nesta quarta-feira (29) que recebeu milhares de solicitações de venezuelanos que desejam ser repatriados, após emigrarem para vários países da região.

"Estamos recebendo solicitações de milhares em nossas embaixadas (...), mas não podemos expressá-lo até que isso esteja acontecendo em tempo real para evitar qualquer tipo de retaliação", disse a jornalistas o ministro de Comunicação, Jorge Rodríguez.

A declaração é feita depois que, na última segunda-feira, 89 venezuelanos retornaram ao seu país do Peru em um avião disponibilizado pelo governo de Caracas.

O ministro indicou que Maduro "deu a ordem (...) a todas as embaixadas da Venezuela no mundo, especialmente nestes países onde aconteceram casos de xenofobia, de crimes de ódio contra venezuelanos, que atendem cada um dos casos".

Rodríguez se referia, além do Peru, a Colômbia e Equador, destino de centenas de milhares de migrantes que fogem da grave crise econômica no seu país.

O funcionário falou da acolhida que a Venezuela deu a milhares de cidadãos desses países e de outros da região.

Segundo disse, 20% dos habitantes da Venezuela - de 30 milhões - são colombianos, peruanos e equatorianos.

"Vamos ao escritório da ONU para o atendimento de refugiados para que os governos de Colômbia, Equador e Peru respondam. Nós continuaremos atendendo-os porque é assim que os venezuelanos são, pessoas decentes, dignas, solidárias, pessoas generosas, mas assim não é o governo de Colômbia, nem de Peru, nem de Equador", acusou.

Acrescentou que as pessoas repatriadas esta semana denunciaram maus-tratos e discriminação. "Jogaram seu dinheiro no chão quando souberam que eram venezuelanos", sustentou.

O êxodo dos venezuelanos levou os governos de Equador e Peru a implementarem controles para regular sua entrada.

O Brasil, por sua vez, anunciou o envio temporário das Forças Armadas para a fronteira com a Venezuela após os surtos de violência na região. O presidente Michel Temer também adiantou que poderiam "distribuir senhas" para limitar o fluxo de migrantes.

Na última quinta-feira, a ONU pediu que os países latino-americanos continuem recebendo os refugiados venezuelanos, criticando as novas exigências de Equador e Peru.

Segundo a Organização para as Migrações (OIM) e o escritório da ONU para os refugiados (Acnur), dos 2,3 milhões de venezuelanos (7,5% da população total) que vivem no exterior, mais de 1,6 milhão fugiram desde 2015.

Analistas acreditam que a diáspora continuará ante a desconfiança gerada pelas medidas de Maduro para aliviar a crise, refletidas na escassez de alimentos e remédios e na inflação que, segundo o FMI, fechará 2018 em 1.000.000%.

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