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Governo inicia fechamento de UPPs nas comunidades do Rio

Policiais examinam prédio da UPP na comunidade Nova Brasília, alvo de tiros na véspera, em 24 de julho de 2012 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. abril 2018 - 00:54
(AFP)

O governo anunciou nesta sexta-feira (27) o fechamento de metade das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas comunidades do Rio de Janeiro, um projeto que gerou grandes esperanças no combate à violência, mas que há anos agonizava.

O programa começou em 2008, visando a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, quando o governo do Rio decidiu rever sua estratégia na luta contra os traficantes de drogas instalando UPPs nessas comunidades.

No início, os índices de violência diminuíram nessas áreas, mas desde 2013, as UPPs começaram a acumular denúncias de ações arbitrárias e corrupção, e, segundo um estudo da própria Polícia Militar, "perderam o controle" em boa parte das comunidades, que sofriam com tiroteios e confrontos entre traficantes e agentes.

"Ninguém fecha UPP porque quer. Essas unidades estavam de fato cumprindo seus objetivos? Vamos ser realistas, não estavam", declarou nesta sexta-feira o ministro de Segurança Pública, Raul Jungmann, ao apontar que esse fechamento permitirá que mais agentes patrulhem as ruas da cidade.

"Fazer uma reformulação, reduzir, melhorar as unidades que estão em condições para tal, trazer mais policiamento para as ruas e colocar grupamentos ou destacamentos que vão permanecer dentro da comunidade", acrescentou.

Perto da bancarrota e afundado em uma espiral de violência, o estado do Rio está sob intervenção militar desde fevereiro por decreto do presidente Michel Temer.

A decisão de fechar 12 das 38 UPPs e de fazer uma fusão com outras sete era segredo e foi tomada pelo gabinete desta intervenção, baseado no estudo elaborado pela Polícia Militar.

"Houve uma expansão maior do que o estado podia manter com os recursos que tinham (...) Isso piorou grande parte das UPPs", argumentou Jungmman, ressaltando que os investimentos em Saúde e Educação que deveriam ter acompanhado a ida da Polícia não chegaram.

A imprensa assegura que entre as unidades afetadas pela reforma estão a da Rocinha e da Cidade de Deus.

Embora as UPPs estejam em estado crítico há anos, seu fechamento parcial gera muitas dúvidas nas comunidades, onde vive um quarto da população do Rio.

Uma pesquisa realizada em 2016 pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Universidade Cândido Mendes, concluiu que, embora quase 70% dos habitantes de comunidades com UPPs as considerassem falidas, 60% queriam que elas permanecessem.

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