Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Vista geral da cidade israelense de Haifa, no dia 20 de abril de 2015

(afp_tickers)

O ministério da Saúde israelense reconheceu nesta terça-feira a relação entre poluição e certos tipos de câncer em Haifa, principal porto e centro industrial do país - encerrando uma batalha entre o prefeito da cidade e a indústria petroquímica local, principal poluidora da região.

O impacto sanitário da poluição que afeta a Baía de Haifa, que abriga a maior refinaria de petróleo em Israel e outras indústrias químicas, é uma preocupação de longa data. Mas a controvérsia se instalou na semana passada, com a publicação na imprensa de um documento condenatório feito por um funcionário do ministério da Saúde.

Segundo o documento, que abrange o período de 1998 a 2007, o risco de desenvolver câncer é 16% superior na Baía de Haifa do que em outros lugares em Israel. A taxa chega a 29% quando se trata de câncer de pulmão. Dos 60 casos de câncer em crianças menores de 14 anos, 30 podem ser atribuídos à poluição, acrescentou o documento.

Os dados relativos às crianças, em particular, têm causado uma reação acalorada. O prefeito de Haifa, Yona Yahav, comprou a briga com a indústria local revogando no último domingo autorizações de cinco empresas, incluindo a refinaria ORL, que emprega centenas de pessoas. A prefeitura enviou caminhões para bloquear o acesso aos locais da refinaria e exigiu uma posição do ministério da Saúde.

A posição do ministério veio nesta terça-feira em um comunicado de imprensa confirmando que havia mais cânceres nos adultos, especialmente de pulmão, em Haifa do que em outros lugares. "No entanto, não há evidências de que existe maior mortalidade entre as crianças", destacou o ministério, sem citar números específicos.

Yahav disse ter obtido o que queria com a declaração do ministério da Saúde, que reconhece que os casos de câncer de pulmão em adultos são mais numerosos na região de Haifa do que no resto do país.

As iniciativas do prefeito, contudo, foram alvo de críticas por parte de seus adversários e por ambientalistas como uma manobra política feita para mascarar sua própria passividade.

AFP