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O líder do Hamas, Ismail Haniya (l), recebe o premier palestino, Rami Hamdallah, em seu gabinete, em Gaza

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O governo palestino se reuniu nesta terça-feira (3) na Faixa de Gaza pela primeira vez desde 2014, um novo passo para o retorno da Autoridade Palestina, reconhecida internacionalmente, ao comando do território sob poder do Hamas.

"Estamos aqui para virar a página da divisão e restituir ao projeto nacional seu rumo que é a criação de um Estado palestino", declarou o primeiro-ministro Rami Hamdallah diante de seus ministros reunidos sob os retratos do líder histórico Yasser Arafat e do atual presidente da Autoridade Palestina, Mahmmud Abbas.

A celebração do conselho de ministros também deve ilustrar o avanço da reconciliação entre a Autoridade Palestina e o movimento islamita Hamas, após décadas de fratura.

Apesar da prudência alimentada pelo fracasso das tentativas anteriores de aproximação, a visita do primeiro-ministro Hamdallah ontem a Gaza, a primeira desde 2015, deve preparar o terreno para uma transferência progressiva de atribuições - ao menos civis - do Hamas para a Autoridade Palestina.

O Hamas expulsou a Autoridade Palestina de Gaza em 2007, após uma quase guerra civil com o Fatah, seu grande rival que controla a entidade interina surgida dos Acordos de Oslo e que deveria anteceder um Estado palestino independente.

Desde então, a Autoridade Palestina exerce seu poder, limitado, sobre a Cisjordânia, um território palestino ocupado por Israel há 50 anos e separado de Gaza por algumas dezenas de quilômetros através do território israelense.

- Unidade -

As disputas palestinas são consideradas um dos principais obstáculos para uma solução ao conflito com Israel e uma das causas dos grandes males que atingem os habitantes de Gaza: guerras, bloqueio israelense e egípcio, escassez de água e eletricidade, desemprego, etc.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já rejeitou nesta terça-feira qualquer tipo de reconciliação entre palestinos, a menos que aconteça um desarmamento do braço armado do movimento islamita Hamas, assim como o fim de suas relações com o Irã e o reconhecimento do Estado de Israel.

"Aos que buscam uma reconciliação, afirmamos que reconheçam o Estado de Israel, desmantelem o braço armado do Hamas e cortem suas relações com o Irã, que pede nossa destruição", afirmou Netanyahu em um comunicado, em referência à tentativa dos grupos palestinos de superarem suas divisões.

Israel e o Hamas travaram três guerras na Faixa de Gaza desde 2008.

"Nós não estamos dispostos a aceitar reconciliações tácitas entre palestinos à custa da nossa existência", disse Netanyahu.

O governo palestino se sentou em Gaza pela última vez no final de 2014, após a última guerra com Israel.

Apesar dos esforços de reconstrução e da insistência da comunidade internacional sobre a necessidade do retorno da Autoridade Palestina à Gaza, a discórdia se sobrepôs.

Em setembro, o Hamas acabou por aceitar o retorno da Autoridade Palestina sob pressão do Egito e depois que Abbas parou de pagar a conta da eletricidade fornecida por Israel ao território.

Em uma entrevista na segunda-feira à noite, Abbas ressaltou a "determinação de ambas as partes para estabelecer a unidade, sem a qual não haverá Estado palestino".

Uma das questões é saber se o Hamas, com uma Força Armada estimada em cerca de 25.000 homens, está pronto para entregar o controle da segurança à Autoridade.

"Os pontos de passagem (com Israel e o com o Egito), a segurança, os ministérios, tudo deve ser encabeçado pela Autoridade Palestina", disse Abbas, acrescentando que "será um único Estado, um único sistema, uma única lei e uma só arma".

"Para ser mais claro: não aceito reproduzir, ou clonar, a experiência do Hezbollah no Líbano", disse ele, referindo-se a uma situação em que um grupo armado tem uma grande influência na política de um governo.

Tais questões espinhosas serão discutidas pelo Fatah e pelo Hamas nos próximos dias no Cairo.

A reconciliação "exigirá esforços, tempo e trabalho", ressaltou Abbas, enquanto o porta-voz do governo, Youssef Mahmoud, alertou que "não há varinha mágica".

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AFP