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Restos do avião são localizados perto do vilarejo de Davido-Nikolsk

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As forças de Kiev buscavam na noite desta segunda-feira membros da tripulação de um avião de transporte militar, abatido na zona separatista por um míssil "provavelmente" disparado da Rússia, agravando ainda mais a tensão entre os dois países.

A tripulação da aeronave foi vista por jornalistas da AFP em um campo perto da aldeia de Davydo-Mykilske, na região de Lugansk, que entrou em contato com o Estado-Maior ucraniano, indicou a Presidência da Ucrânia em um comunicado. Ainda não se sabe quantos sobreviveram.

Um dos porta-vozes militares de Kiev, citado pela imprensa local, admitiu que dois pilotos - dos oito que estavam a bordo - tinham sido feitos prisioneiros pelos rebeldes.

Já os insurgentes afirmaram ter feito cinco prisioneiros, de acordo com as indicações dadas à AFP pelo serviço de imprensa da "República Popular de Lugansk".

- Acusa -

O governo de Kiev acusou rapidamente a Rússia de ser responsável pelo ataque a sua aeronave.

"Levando em consideração o fato de o avião estar voando a uma altitude de 6.500 metros, seria impossível que ele tenha sido atingido por disparos de mísseis terra-ar portáteis, o que significa que ele foi abatido por um míssil de um outro tipo, mais poderoso, que foi lançado, provavelmente, a partir do território da Federação da Rússia", indicou um comunicado da Presidência.

De acordo com moradores de Davydo-Mykilske consultados pela AFP, a destruição do avião ucraniano, por volta de 12h30 (06h30 de Brasília), lembra a de um outro avião de transporte derrubado perto do aeroporto de Lugansk, no dia 14 de junho. Quarenta e nove militares ucranianos morreram no incidente.

O ataque desta segunda ocorreu menos de 24 horas depois de um avanço das forças de Kiev perto de Lugansk e da retomada do aeroporto da região depois de intensos combates.

Na estrada que liga Donetsk a Lugansk, jornalistas da AFP viram marcas dos confrontos da véspera: um tanque destruído e dois blindados de transporte de tropas incendiados. Mas não era possível saber a que lado pertenciam.

- "Perigosa escalada" -

Enquanto os enfrentamentos continuam, a busca por uma solução política não avançou. Depois de seu encontro no Rio antes da final da Copa do Mundo, o presidente russo, Vladimir Putin, e a chanceler alemã, Angela Merkel, repetiram apenas que queriam "negociações diretas o mais rápido possível" entre o governo ucraniano e os separatistas.

O chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, afirmou nesta segunda, em um comunicado, que Berlim, Kiev, Moscou e Paris iniciariam um diálogo até terça-feira entre o grupo de contato para a Ucrânia e os separatistas com o objetivo de obter um cessar-fogo.

Mas o diálogo tem sido cada vez mais difícil após um incidente na fronteira ocorrido no domingo entre a Ucrânia e a Rússia. Acusando as forças de Kiev de terem disparado um morteiro que causou uma morte no lado russo da fronteira, Moscou mencionou uma "escalada extremamente perigosa" e ameaçou a Ucrânia com "consequências irreversíveis".

As autoridades de Kiev negaram qualquer envolvimento, afirmando que "os militares ucranianos nunca dispararam contra o território do Estado vizinho".

O Ministério russo das Relações Exteriores indicou nesta segunda que havia pedido aos observadores da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) que fossem à fronteira entre Rússia e Ucrânia.

A Otan denunciou nesta segunda o "reforço" das tropas russas na fronteira com a Ucrânia, que constitui um "passo atrás na desescalada".

"Desde meados de junho, nós temos provas da mobilização progressiva de milhares de soldados russos perto da fronteira com a Ucrânia", declarou uma autoridade da Aliança.

AFP