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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas, em 5 de março de 2017

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O governo venezuelano expropriou duas padarias em Caracas, em resposta ao que chama de "guerra do pão", um suposto complô para induzir a escassez do produto e causar problemas.

Os estabelecimentos passarão para as mãos dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), grupos comuns que distribuem alimentos a preços acessíveis em zonas populares, informou em entrevista divulgada nesta quinta-feira o superintendente para a Defesa dos Direitos Socioeconômicos, William Contreras.

O funcionário justificou a expropriação dos locais ao acusá-los de cobrar pela baguete um preço acima, de acordo com seu peso, do estabelecido pelo governo.

"Eles têm uma produção contínua, mas qual é a novidade? Que a baguete deve pesar 180 gramas. Estes senhores as produzem com 140 gramas e cobram por 180", denunciou Contreras ao jornal on-line oficialista Ciudad Caracas.

A operação, segundo Contreras, prendeu quatro pessoas.

"Eles vão pagar, eu juro. Os responsáveis pela guerra do pão vão pagar e depois não vão dizer que é uma perseguição política", advertiu o presidente Nicolás Maduro em seu programa, no domingo, quando anunciou que haveria expropriações e detenções.

Há dois dias, centenas de policiais, militares e procuradores saíram para inspecionar padarias em Caracas.

Seu objetivo é garantir que 90% da farinha de trigo que os padeiros compram do governo - que monopoliza com um controle ferrenho de câmbio as divisas para importar alimentos - seja usada em pães, ao invés de outros produtos como pastéis e tortas, e que estejam disponíveis a toda hora.

O último preço fixado para o pão era de 250 bolívares (0,35 dólar na taxa oficial mais alta); entretanto, nas ruas pode-se conseguir por até 900 bolívares (1,20 dólar).

O governo tem em vigência um controle de preços para alimentos básicos. Os produtores denunciam que os preços estabelecidos são inferiores aos custos de produção.

AFP