AFP

A rede Al-Qaeda e o grupo Estado Islâmico (EI), que reivindicou a responsabilidade pelo ataque suicida de Manchester, consideram há quase 15 anos a Grã-Bretanha um dos seus principais inimigos e alvo prioritário

(afp_tickers)

A rede Al-Qaeda e o grupo Estado Islâmico (EI), que reivindicou a responsabilidade pelo ataque suicida de Manchester, consideram há quase 15 anos a Grã-Bretanha um dos seus principais inimigos e alvo prioritário, estima Mathieu Guidère.

Para este especialista em movimentos terroristas islâmicos, professor na Universidade Paris VIII, a utilização de explosivos em um espaço fechado, destinado a fazer o máximo de vítimas possível, está em linha com os ataques de julho de 2005 em Londres, que mataram 56 pessoas.

P - Por que atingir uma multidão reunida para um show em Manchester ?

R - Seja para o Daesh (acrônimo em árabe do grupo Estado Islâmico) ou para a Al-Qaeda, a Grã-Bretanha é há tempos um dos seus três alvos prioritários de ataques. Esse fato remonta à colaboração com os Estados Unidos na invasão do Iraque em 2003. Há um fardo pesado.

Hoje a Grã-Bretanha faz parte da coalizão que combate o Daesh na Síria e no Iraque, com soldados no terreno e muitos ataques aéreos.

P - Por que o extremista Salman Abedi utilizou um artefato explosivo?

R - Porque é um modus operandi recomendado pelos movimentos extremistas. Não há nada de novo: em julho de 2005, a Al-Qaeda demonstrou que dispunha de membros dispostos a se explodir em locais públicos, para tentar fazer o máximo possível de vítimas.

Na ocasião, os terroristas já eram pessoas locais e não extremistas enviados do exterior. Nada mudou na Grã-Bretanha entre 2005 e 2017. A motivação e a justificativa são as mesmas: a intervenção do país no Iraque.

P - A reivindicação pelo EI deve ser levada a sério?

R - Não é porque eles (os líderes do EI) reivindicam o ataque que eles são necessariamente os instigadores, é preciso esperar por mais resultados da investigação em curso.

Especialmente porque atualmente há um movimento entre os dois grupos. Há dois ou três meses, temos visto o retorno de um número de combatentes do Estado Islâmico, que inicialmente pertenciam à Al-Qaeda e que mudaram sua filiação para o Daesh a partir de junho de 2014, e que desde setembro do ano passado começaram a retornar à Al-Qaeda, a medida que a ofensiva contra o Daesh no Iraque e na Síria avança.

Aqueles que acreditam que o Daesh pode se enfraquecer demais nos próximos meses retornam para a Al-Qaeda. Por enquanto, não sabemos a que grupo Salman Abedi pertencia, mas é possível que seja alguém que passou do Daesh à Al-Qaeda.

Atualmente, há uma série de nomes e líderes familiares, especialmente no Iraque. E também na Líbia desde que o Daesh foi expulso de Sirte. Mas o objetivo é o mesmo: criar um Estado islâmico e implementar a sharia. Apenas os meios e estratégias são diferentes.

AFP

 AFP