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O ministro grego das Finanças, Euclid Tsakalotos (E), e o comissário europeu de Assuntos Financeiros, Pierre Moscovici, em Bruxelas, em 20 de março de 2017

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Com mais de cinco meses de atraso, a Grécia evitou o risco de uma nova crise ao chegar a um acordo com seus credores que prepara caminho para as negociações sobre a redução da dívida.

O acordo foi anunciado nesta terça-feira pela manhã pelo ministro das Finanças grego Eclides Tsakalotos, e confirmado em Bruselas, encerrando assim extensas negociações noturnas. O acordo afasta, no curto prazo, uma nova crise grega, como a que levou a zona do euro à beira do abismo em 2015.

O comissário europeu de Assuntos Financeiros, Pierre Moscovici, disse que se "virou a página" do "difícil capítulo de austeridade" na Grécia, país extremamente endividado e três vezes resgatado financeiramente desde 2010.

Trata-se de "um desenvolvimento muito positivo após meses de complexas negociações", comentou.

Para convencer seus credores (União Europeia e Fundo Monetário Internacional) o governo grego de esquerda teve que aceitar legislar sobre cortes adicionais de aproximadamente 3,6 bilhões de euros para 2019, ano de eleições legislativas, e 2020.

Estas medidas que devem ser votadas em meados de maio consistem em uma 14ª redução das aposentadorias, de 9% em média, segundo a agência de notícias grega Ana, e de uma enésima alta de impostos que atinge inclusive os salários mais baixos.

O primeiro-ministro Alexis Tsipras, que aparece nas pesquisas atrpas da oposição de direita por ter aceitado as medidas de austeridade depois de chegar ao poder em 2015, obteve em contrapartida o acordo dos credores para impulsionar medidas contra a pobreza por um montante equivalente ao dos cortes.

O acordo, classificado como preliminar por Tsakalotos, deve ser ainda ratificado pelos ministros das Finanças da zona do euro, que se reúnem no dia 22 de maio.

- Dinheiro fresco e dívida -

Este acordo deve permitir em um primeiro momento desbloquear a transferência de uma nova parcela dos empréstimos acordados em julho de 2015, e evitar assim qualquer risco de moratória em julho, quando Atenas deve saldar mais de 7 bilhões em dívida.

Atenas espera convencer os credores de sua capacidade para um planejamento para aliviar a dívida, e assim permitir a inclusão do país no programa de compra da dívida do Banco Central Europeu (BCE) e preparar sua volta para o mercado da dívida.

Tsakalotos acrescentou que está "certo" de que o acordo vai permitir à Grécia obter medidas de alívio da dívida por parte de seus credores.

A taxa de desemprego em janeiro chegava a 23,5% da população ativa, frente a uma média de 9,5% na zona do euro, informou a Eurostat.

"Todos os sócios [da Grécia] precisam chegar agora um acordo sobre a questão da dívida grega nas próximas semanas", disse Moscovici.

No entanto, ainda há um obstáculo para lançar esta nova etapa: o de um compromisso entre o FMI e Berlim, cujas diferenças sobre a Grécia bloquearam qualquer avanço durante meses.

Nesta terça-feira, o Fundo afirmou que é preciso dar à Grécia um alívio "concreto" antes de socorrer o país.

"Agora isso deverá estar lado a lado com uma estratégia concreta para restaurar a sustentabilidade da dívida" grega, disse Poul Thomsen, chefe da área europeia do FMI.

O FMI pede aos europeus que aliviem substancialmente a dívida grega e liberem o orçamento, que prevê recessivo. A Alemanha se mantém bastante apegada à ortodoxia fiscal e afasta qualquer gesto sobre a dívida para depois das eleições legislativas de setembro de 2017.

Tsipras se comprometeu, ainda, com a opinião pública, a não implementar as novas medidas sem um avance sobre o tema da dívida.

Nas ruas, mais de 10.000 pessoas protestaram contra os cortes na segunda-feira e uma greve geral foi anunciada para 17 de maio.

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