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A entrada principal do jornal Tiempo Argentino após ataque de um grupo de cerca de 20 homens, em Buenos Aires, no dia 4 de julho de 2016

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Um ataque à redação do jornal Tiempo Argentino, em Buenos Aires, na madrugada desta segunda-feira (4), deflagrou uma onda de repúdio geral no país, depois da notícia de que três funcionários desse veículo foram agredidos, e equipamentos e documentos, destruídos.

Segundo testemunhos de membros do Tiempo Argentino, a Polícia foi avisada desde o primeiro momento. Além de não impedir a destruição, permitiu que o grupo de cerca de 20 pessoas permanecesse por quatro horas no local, acrescentaram.

"É um ataque à liberdade de expressão", denunciou a diretora-executiva da Anistia Internacional Argentina, Mariela Belski.

Os jornalistas "são uma voz vital para o exercício do direito à informação, um direito essencial para a vida em democracia", defendeu Belski.

A representação argentina da Anistia Internacional reivindicou que as autoridades garantam a segurança dos profissionais em seu ambiente de trabalho e se avance na investigação desse incidente.

A Secretaria de Comunicação Pública expressou "sua mais forte condenação ao ataque às instalações do jornal Tiempo Argentino e se solidariza com os membros da redação, vítimas há meses das ações irresponsáveis ​​de um grupo de empresários", indica um comunicado.

Com uma linha editorial crítica ao governo de centro-direita de Mauricio Macri, o jornal funciona como uma cooperativa desde dezembro, após enfrentar uma grave crise.

Em dezembro passado, os donos do jornal e aliados da ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), Sergio Szpolski e Matías Garfunkel, deixaram o veículo à deriva depois de perder milionárias contas de publicidade do governo.

Os donos deixaram de pagar até sete meses de salário de seus mais de 200 funcionários. O jornal caiu em uma crise, da qual emergiu mediante a autogestão e com uma edição dominical.

Entre os 20 agressores estava o suposto novo dono do veículo, Mariano Martínez Rojas, denunciaram funcionários em entrevista coletiva.

"Martínez Rojas entrou à força com uma gangue que atacou três trabalhadores e que destruiu instrumentos-chave para o funcionamento da redação com o claro objetivo de impedir a saída do jornal", disseram em um comunicado.

O jornal Tiempo Argentino era o símbolo do Grupo 23 de mídia, de propriedade de Szpolski, beneficiário de quantias milionárias durante o governo de Cristina Kirchner.

Ao todo, o Grupo 23 compreendia uma dúzia de veículos impressos, rádios e portais de notícias, a maioria hoje desaparecidos, ou em estado de emergência como Rádio América, uma AM que continua transmitindo sob autogestão.

Os funcionários do Tiempo Argentino pararam de receber em novembro passado e, em março, formaram a cooperativa Por más Tiempo.

Uma publicação especial lançada pelos 30 anos do golpe de Estado de 1976, completados em 24 de março, vendeu cerca de 30.000 exemplares. Desde então, com o apoio dos leitores, conseguiram manter a publicação, que terá, em breve, sua edição digital.

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AFP