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Jesús Santrich, um dos delegados de paz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, discursa durante os diálogos de paz com o governo colombiano, em Havana, no dia 18 de junho de 2015

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A guerrilha comunista das Farc se declarou disposta, nesta quinta-feira, a acelerar as negociações de paz para fechar rapidamente um acordo sobre as vítimas, tema que discute há um ano com o governo colombiano em Cuba.

A "delegação das Farc (...) quer fechar já um acordo sobre vítimas e não andar por aí pelo mundo divulgando tergiversações do que agora está acordado", disse à imprensa Jesús Santrich, um dos delegados de paz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Com a expressão andar "pelo mundo", Santrich fez alusão à recente viagem à Euopa do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que, segundo rebeldes, fez um discurso "recheado de distorções e de mentiras brancas" sobre o processo de paz.

"Vamos nos apressar tentando com que isto se firme" logo, acrescentou Santrich, integrante do Estado-maior central das Farc e principal redator dos documentos de sua delegação de paz em Havana.

O governo diz que é a guerrilha a que atrasa as negociações, pois se opõe a assumir suas responsabilidades pelas vítimas do conflito armado interno de meio século, pois isto poderia implicar em sanções penais para seus líderes.

O governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior guerrilha do país, passaram o último ano discutindo a reparação das vítimas sem sinais de que estão perto de fechar este ponto, o quarto que abordam após acordar os três primeiros.

Santrich propôs fazer "um ato coletivo de contrição política de reconhecimento das responsabilidades (pelas vítimas), cada parte assumindo o que lhe corresponde".

Ele afirmou que a guerrilha apoia a criação de um "fundo especial", assim como a concepção de um "plano nacional para a reparação integral das vítimas do conflito".

"Isto implicará um esforço fiscal extraordinário, equivalente a menos de 3% do Produto Interno Bruto anual (...), com vigência de 10 anos", disse Santrich.

A delegação do governo não comentou estas propostas.

Há dois meses, as hostilidades na Colômbia se intensificaram, com baixas principalmente entre os guerrilheiros, mas também entre os militares, o que fez surgirem nuvens negras sobre o processo de paz, no qual a Noruega e Cuba são "garantidores" e a Venezuela e o Chile, "acompanhantes".

Neste ciclo de negociações - o 38º desde novembro de 2012 -, as duas partes discutem a justiça pelos crimes cometidos ao longo do conflito, que deixou 220.000 mortos e seis milhões de deslocados, segundo cifras oficiais.

Diálogos exploratórios com o ELN

À equipe do governo, em Havana, somou-se nesta quinta-feira Frank Pearl, que é membro desta delegação desde 2012 e é, simultaneamente, encarregado dos diálogos exploratórios com a outra guerrilha colombiana, o guevarista Exército de Libertação Nacional (ELN).

O governo e o ELN se reuniram reservadamente neste fim de semana na Venezuela no quinto encontro exploratório deste ano, sem que tenham conseguido entrar em acordo para iniciar negociações formais de paz.

"O encontro não conseguiu destravar o ponto conflituoso 'fim do conflito' da forma como deveria ir na eventual agenda de negociações entre as partes", explicou à AFP um diplomata que acompanha o processo de paz.

"O ponto já se arrasta por vários encontros, sem que se ache uma solução que satisfaça as partes. Mesmo assim, acordou-se continuar explorando, mesmo quando uns e outros anunciaram não poder ceder no ponto em questão", acrescentou.

As Farc e o governo, ao contrário, instalaram, no fim de 2014, uma 'subcomissão' conjunta, integrada por generais e guerrilheiros, que prepara recomendações para o 'fim do conflito', o ponto da agenda seguinte ao das vítimas.

As duas partes acertaram até agora os pontos reforma agrária (maio de 2013), participação política (novembro de 2013) e drogas ilícitas (maio de 2014), mas nenhum deles foi instrumentalizado porque o processo de paz se baseia no princípio de que "nada está acordado até que tudo esteja acordado".

O único acordo instrumentalizado até agora é o início de um plano de retirada de minas, combinado em março.

AFP