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Integrantes das Farc descansam na entrada de zona onde guerrilheiros estão se reunindo em San José de Oriente, em 28 de fevereiro

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As Farc, principal guerrilha da Colômbia, começarão nesta quarta-feira o processo de entrega de armas, ponto essencial do acordo de paz assinado com o governo para acabar com meio século de confrontos.

"É um dia histórico para o país", escreveu no Twitter o presidente Juan Manuel Santos.

O chefe supremo das Farc, Rodrigo Londoño (Timochenko), também comemorou na rede social o que chamou de "um passo a mais para a paz" com o início do desarmamento das Forças Armadas da Colômbia (Farc) nas zonas onde se preparam para voltar à vida civil.

Alçadas contra o Estado em 1964, as Farc selaram um acordo de paz com o governo de Bogotá depois de quatro anos de negociações que estabelecem que os rebeldes deveriam depor as armas em um período de 180 dias a partir de 1º de dezembro, o chamado "dia D", em um processo supervisionado pelas Nações Unidas.

Segundo o cronograma acertado, a entrega das armas será feita em três fases: em D+90 são entregues 30% das armas; em D+120, outros 30%; e em D+150, os demais 40% restantes, para terminar no mais tardar no dia D+180.

Mas, antes da primeira etapa, deveriam ser cumpridos passos prévios: registro das armas, destruição do armamento instável (explosivos, minas) e armazenamento das armas pesadas.

Houve um atraso devido a problemas logísticos da guerrilha e deveria ter terminado em 31 de dezembro, mas foi completado em 18 de fevereiro.

Dessa forma, as partes concordaram em iniciar o processo nesta quarta, sem modificar o limite dos 180 dias.

- Disposição -

A ONU, que destinou 450 observadores internacionais para esta missão, elogiou em um comunicado "o consenso das partes de iniciar sem mais demora".

O "armazenamento gradual" em contêineres começará com a recepção das armas dos 322 membros das Farc que integram o Mecanismo de Monitoramento e Verificação, uma entidade tripartite (guerrilha, governo e ONU) que deve controlar o cessar-fogo.

Na zona de concentração das Farc em San José de Oriente, a 30 minutos da cidade de Valledupar (norte), a guerrilheira Adriana Cabarrus disse à AFP que o grupo "está dando este passo com toda disposição e bom ânimo".

Outra guerrilheira, Maritza González, de 54 anos e militante desde os 14, está esperançosa. "Estou deixando o fuzil pela escova", afirmou.

- Registro de armas -

O registro e a entrega de armas serão coordenados nesta fase apenas entre a ONU e as Farc, com o organismo multilateral atuando como avalista do processo, explicou o Alto Comissário para a Paz, Sergio Jaramillo.

O presidente Santos, que recebeu o Nobel da Paz por seus esforços de pacificação, disse na véspera que "o país entrou em uma etapa irreversível de consolidação da paz".

Dessa forma, anunciou o lançamento de programas para o pós-conflito, como planos especiais de desenvolvimento de municípios atingidos pela violência.

O governo também informou que haverá outros avanços na aplicação da paz: 1.200 guerrilheiros poderão receber anistia ainda esta semana e a possível discussão final no Congresso na próxima semana sobre a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), que, segundo o acordo, julgará os delitos cometidos nos 50 anos de confronto.

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AFP