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Carlos Lozada

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Depois de fracassar durante meio século em sua tentativa de tomar o poder por via armada na Colômbia, a guerrilha das Farc iniciaram neste domingo (27) sua transição para a vida política como um novo partido de esquerda.

Cerca 1.200 delegados e líderes daquela que foi a principal guerrilha da América instalaram em Bogotá seu congresso fundacional para estrear como força política legalizada, depois de concluir seu desarmamento no dia 15 de agosto.

No evento, que se estenderá até a próxima sexta-feira, será definido um nome para o movimento, e serão eleitos os candidatos para as eleições gerais de 2018.

"Nos transformamos, a partir deste evento, em uma nova organização exclusivamente política, que exercerá sua atividade por meios legais", disse seu líder máximo, Rodrigo Londoño ("Timochenko"), no encontro.

O ex-comandante garantiu que, no movimento, "persistirão" as bandeiras políticas que marcaram seu alçamento em armas, em maio de 1964.

Defenderemos um "regime político democrático que garanta a paz com justiça social, respeite os direitos humanos e garanta um desenvolvimento econômico para todos", frisou.

O presidente Juan Manuel Santos também celebrou.

"Quem iria pensar, há uns anos, que isso seria possível... Agora o que temos de fazer é nos reconciliar", declarou o presidente, em Bogotá.

- Partido 'revolucionário' -

Uma vez finalizado o evento, as Farc lançarão seu partido, oficialmente, em um ato popular na Praça Bolívar, o coração político de Bogotá.

Uma das maiores discussões é sobre o nome da legenda. O dirigente rebelde Iván Márquez garante que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se transformarão em Força Alternativa Revolucionária da Colômbia.

Esta semana, o líder máximo dos rebeldes, Rodrigo Londoño ("Timochenko"), fez uma pesquisa no Twitter para conhecer a opinião dos internautas. O ganhador foi Nova Colômbia, com 36% dos 10.387 votos. A proposta de Márquez não estava entre as alternativas.

- Sonhos e medos -

Pela manhã, chegaram ao local da reunião vários ônibus com ex-combatentes desde todos os cantos do país.

Alguns não disfarçaram a alegria por iniciar o caminho democrático, sob um movimento que, como afirmou "Timochenko" em dezembro passado, não terá candidato presidencial, mas apoiará uma candidatura que garanta o cumprimento do acordo e um programa mínimo de convergência.

"Vamos começar, sem armas, nosso projeto de sociedade", comemorou José Edwin Arias, um ex-combatente de 36 anos que perdeu as mãos em um "acidente" com explosivos.

O otimismo não é geral, porém. Alguns temem fazer parte das dezenas de ativistas assassinados após a assinatura do pacto.

"Grupos armados à margem da lei ainda estão presentes nas comunidades", comentou Efrén Romaña, que passou cerca de 30 dos seus 53 anos na guerrilha.

Os ex-combatentes têm medo de serem perseguidos por forças de extrema-direita, em função de sua ideologia marxista. Essa palavra foi praticamente suprimida das declarações públicas do grupo para não fechar portas para alianças.

- 'Ganhar corações' -

Além do desafio de participar da política, as Farc têm outro obstáculo a superar: vencer a rejeição da maioria da população, superior a 80%, segundo pesquisas.

"Para as Farc, a ação política não é apenas eleitoral (...) É mais ganhar corações do que votos", afirmou o insurgente Jesús Santrich.

Os analistas atribuem essa imagem negativa aos crimes cometidos pelos rebeldes em 50 anos de confrontação, que envolveu inúmeros atores e deixou mais de sete milhões de vítimas.

"Contra as Farc pesa um histórico de erros muito importante para ser superado em curto prazo", afirmou a analista Angelika Rettberg.

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AFP