AFP

O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, em Nova York, em 23 de abril de 2017

(afp_tickers)

O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, está alentado com o acordo firmado nesta quinta-feira, por Turquia, Rússia e Irã, para estabelecer zonas de segurança na Síria e reduzir os confrontos, informou seu porta-voz.

"Será crucial ver se este acordo realmente melhora a vida dos sírios", declarou o porta-voz da ONU Stephane Dujarric, sobre o documento firmado em Astana, no Cazaquistão.

Rússia e Irã, aliados do regime sírio, e a Turquia, que apoia os rebeldes, assinaram um memorando sobre a instalação de "zonas de segurança", chamadas de "zonas de desescalada", na Síria, destinadas a fazer cessar os combates no país em guerra.

O acordo prevê um cessar-fogo, proibição de todos os voos, rápida entrega de ajuda humanitária a zonas específicas e o retorno dos refugiados.

Guterres comemorou "os compromissos de cessar o uso de todas as armas, particularmente aéreas", e do envio de ajuda médica e de produtos básicos, disse Dujarric.

O enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, que também estava em Astana, descreveu o acordo como "um importante passo positivo na direção correta" visando um cessar-fogo.

Os Estados Unidos, país observador em Astana, saudou com grande prudência este acordo e declarou em um comunicado "apoiar todo esforço que possa verdadeiramente reduzir a violência na Síria".

"Estamos preocupados (...) com a implicação do Irã como pretenso avalista (já que suas) ações na Síria não fizeram mais que alimentar a violência", comentou a nova porta-voz do departamento de Estado, Heather Nauert.

O plano russo veio à tona na terça-feira durante uma conversa telefônica entre o presidente russo e seu contraparte americano, Donald Trump.

A proposta prevê "zonas de segurança", também chamadas "de distensão", um termo difuso que pode se aproximar da ideia de uma zona tampão, sem que isto implique, no entanto, uma mobilização maciça de soldados para assegurar o cessar-fogo.

Segundo o texto, as "zonas de distensão" serão criadas no conjunto da província de Idlib (noroeste), nas zonas delimitadas no centro pelas províncias de Latakia, Aleppo, Hama, Homs e de Damasco com Guta oriental, assim como nas zonas delimitadas pelas regiões de Daraa e Quneitra.

A primeira versão deste projeto, consultado em árabe pela AFP, previa a criação de quatro zonas unicamente.

AFP

 AFP