AFP

A candidata francesa do Partido Verde Europe-Ecologie-Les Verts (EELV), Hélène Hardy, em Mons-en-Barœul, em 1º de junho de 2017

(afp_tickers)

Oficialmente, continua se chamando Xavier, mas nas cédulas se apresenta como Hélène Hardy, candidata transgênero nas legislativas francesas pelo partido ecologista.

A cinco dias do primeiro turno das legislativas, esta mulher elegante de 64 anos distribui folhetos eleitorais em um mercado perto de Lille, no norte da França, apresentando-se como uma ativista a favor dos desempregados e dos direitos das pessoas LGBT.

Apenas um mês depois da eleição presidencial, os franceses elegerão 577 deputados em dois turnos, em 11 e 18 de junho. Segundo as pesquisas, o movimento do recém-eleito presidente Emmanuel Macron, A República em Marcha (LREM), aparece como o grande favorito.

"Sou uma candidata ecologista e transgênero. Com minha identidade transversal, posso contribuir para o reconhecimento das pessoas transgênero", explica Hardy, que disputa com outros 15 candidatos em seu distrito.

Hardy milita na política há muito anos, mas esta é a sua primeira campanha eleitoral como mulher.

Embora conte que sempre se sentiu mulher, sua transição começou há apenas dois anos.

Desde então, vive "no paraíso", afirma, com um sorriso de orelha a orelha. "Sinto-me muito mais confortável quando falo com outras pessoas, mais forte".

"Me tornei consciente de que era menina quando tinha quatro ou cinco anos, mas eram os anos 1950, não podia dizer nada. Com o passar dos anos, ficou mais difícil aceitar isso", conta Helène.

Em seu aniversário de 55 anos, acordou em prantos. Naquele dia, decidiu que "não podia morrer sendo homem".

A partir de então, começou uma etapa "complicada" e "dolorosa" para sua família. "Avancei, renunciei, recomecei, etc... até encontrar a força de dizer para mim mesma que sou mulher e ponto".

Oficialmente, ela ainda se chama Xavier. Apresentou um pedido na prefeitura para mudar seu nome, e receberá uma resposta em 13 de junho, dois dias depois do primeiro turno das eleições.

No entanto, os eleitores poderão votar em Hélène Hardy. "A prefeitura me disse que se eu era conhecida como Hélène, podia aparecer nas cédulas com esse nome", conta.

O pedido de mudança de gênero deve ser feito ante um tribunal, o que ela fará apesar de pensar que "não deveria ser nem o Estado nem um juiz quem decida de que gênero somos".

AFP

 AFP